60 Brasil Energia, nº 486, 19 de abril de 2024 biocombustíveis são do açúcar (proveniente de cana-de- -açúcar e materiais lignocelulósico, por exemplo) para a produção de lipídeo microbiano e então a conversão em hidrocarboneto pela enzima. O segundo seria a conversão enzimática de oleaginosas até hidrocarbonetos. “Ou seja, dois processos diferentes utilizando biomassas diferentes, mas que são beneficiados pelo uso de uma mesma enzima”, disse. Zanphorlin ressalta o ineditismo da tecnologia em desenvolvimento. Segundo ela, apesar de existir empresas e grupos de pesquisa no mundo trabalhando para desenvolver rotas alternativas para a produção de SAF, a enzima demonstrou robustez e especificidade de uso únicos. “Por isso já temos duas patentes protegidas com essa tecnologia”, ressalta. A enzima, quando tiver a tecnologia dominada para processos industriais, vai permitir a produção de biocombustíveis e bioprodutos drop-in, ou seja, com composições químicas e características físicas similares aos derivados de petróleo, sem necessidade de adaptação de máquinas e infraestrutura. Para ter essa característica drop-in nos biocombustíveis, no caso específico do SAF, o mérito do biocatalisador é sua capacidade de desoxigenar as matérias-primas, o que é feito por meio da reação de descarboxilação, explicou a pesquisadora. “Um dos grandes desafios para a produção de combustíveis drop-in para a aviação é a oxigenação. Esse setor requer moléculas não-oxigenadas na constituição do combustível. Por isso que os biocombustíveis que temos hoje, como o etanol e o biodiesel, não podem ser utilizados para a aviação”, afirma Zanphorlin. n Avião Airbus abastecendo com SAF
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