Brasil Energia, nº 487, 25 de junho de 2024 35 Ainda que impedimentos socioambientais tornem difícil a construção de novas hidrelétricas convencionais, com reservatórios de armazenamento, as possibilidades de expansão das hídricas estão longe de se esgotar no Brasil e têm um longo caminho à frente, a depender de arranjos regulatórios e de consensos sociais. Esse caminho passa por alternativas que vão da repotenciação, modernização e ampliação das usinas existentes, construção de usinas reversíveis aproveitando ao máximo reservatórios atuais para atuarem em circuito fechado com reservatórios superiores construídos em locais criteriosamente escolhidos, até a construção de usinas de pequenas quedas (até 10 metros) com tecnologias de última geração. Todas essas e outras possibilidades estão discutidas detalhadamente no editorial de 16 páginas da edição de maio do boletim Energy Report, da consultoria PSR. “Cabe a todos nós, agentes privados e governamentais, especialistas e consumidores assegurar que este patrimônio seja usado da maneira que o país precisa, e merece”, conclui o texto após fazer um verdadeiro inventário das perspectivas. “No Brasil, a geração hidrelétrica praticamente coincide com o desenvolvimento dos sistemas elétricos por Thomas Edison, George Westinghouse e Nikola Tesla”, começa o editorial, afirmando que a primeira usina hídrica do país foi inaugurada pelo imperador D. Pedro II e que a UHE Fontes, em Piraí (RJ), de 24 MW foi “a Itaipu no início do século XX”. A PSR divide a história do sistema hidrelétrico brasileiro em duas fases: Hidrelétricas 1.0, com a construção de todo um sistema, incluindo a diversificação de bacias a partir dos anos 1960. E Hidrelétricas 2.0, a partir do ano 2000, quando elas servem de suporte para a disseminação das novas renováveis, atuando como espécies de “armazéns energéticos”. Na sequência, a consultoria propõe a fase das Hidrelétricas 3.0, no seu entender, uma janela de oportunidades. Ela derivaria de fatores como as mudanças climáticas, os usos múltiplos dos reservatórios, a necessidade de flexibilidade e armazenamento para a gestão dos grandes montantes de renováveis intermitentes entrando no sistema, a inviabilidade econômica e ambiental da construção de novos grandes reservatórios e a sinergia entre as hídricas e solares para a construção de usinas solares flutuantes. A partir dessas premissas, a PSR discute as possibilidades das hídricas em sete seções, começando pelo “Nexo água, energia e clima”, passando pelas reversíveis (baterias de água), flutuantes, modernização/repotenciação, ampliações, associadas aos leilões de capacidade, até terminarem em um artigo sobre “Cheias, Mudanças Climáticas e Segurança de Barragens”, escrito pelo especialista Jerson Kelman (colunista da Brasil Energia), ex-diretor-geral da Aneel e ex-presidente da ANA. O editorial está referenciado em novas tecnologias desenvolvidas neste século, inclusive pela própria PSR, para otimizar o aproveitamento hídrico e em experiências
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