e-revista Brasil Energia 487

68 Brasil Energia, nº 487, 25 de junho de 2024 entrevista Hugo Nery nós estamos ainda negociando com a prefeitura, que ainda insiste em utilizar o antigo aterro controlado deles que o Ministério Público já tinha mandado fechar. Isso porque agora o próprio MP voltou atrás e permitiu que a prefeitura fique com ele até 2028. Agora nós estamos tentando mostrar que temos um equipamento muito melhor, com mais capacidade de retenção ambiental e que Manaus não poderia nunca deixar de utilizar um equipamento como esse. E ele também vai contemplar geração de biometano? Sim, e não está projetado só para biometano. Temos ali todo um projeto de separação de material, aproveitamento de material, aproveitamento de massa orgânica e compostagem. Ali é um sistema de transformação. Estava no planejamento da Marquise comprar mais aterros, certo? Como estão as negociações? Eles também devem gerar biometano? Estamos atuando nisso. Nós estamos hoje, mas ainda não posso divulgar, analisando quatro operações diferentes com possibilidade de compra. Já o biometano depende da quantidade de resíduo que esse aterro recebe. Mas se não produzir biometano direto, podemos produzir o biogás e a energia elétrica a partir dele. O que o sr. acha do mandato de compra obrigatória do biometano contemplado no PL do Combustível do Futuro? É necessário para o desenvolvimento do setor? Eu entendo que é necessária a obrigação de compra do biometano no primeiro momento, porque é uma tecnologia diferente, nova e que, portanto, vai precisar de um tempo de maturação. Essa obrigação precisará acontecer, obviamente, dentro de parâmetros que sejam compatíveis com o mercado, porque caso contrário não tem sustentabilidade. Mas eu acredito que essa é uma discussão que não tem retorno. O legislador, de forma geral, está aprendendo o que significa esse mercado. Vai ser um processo inicial de provocação que fará com que esse produto seja bastante explorado no país. Toda tecnologia nova tem um custo de entrada para viabilizar. Passado esse cenário de incentivos, como o sr. vê o futuro do biometano? O biometano nunca vai ser o gás principal. Ele será complementar, porque obviamente a produção de gás de petróleo é imensa comparada com o potencial do biometano. Mas é fato que o biometano surgiu no mercado há pouco tempo e que ainda existem muitas formas de produção não exploradas. Mas vai demorar para que tenha todo um sistema de aproveitamento adequado. Ainda tem um processo de crescimento muito grande pela frente. n

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