70 Brasil Energia, nº 487, 25 de junho de 2024 inovação no interior da tubulação, ao atingir uma temperatura crítica, ocorre a formação de cristais de parafina e, consequentemente, a deposição da parafina”, explicou Vanessa Bizotto Guersoni, pesquisadora do Cepetro. A prática na indústria é de fazer uso de simuladores comerciais, que tentam prever quando e em que velocidade a deposição deve ocorrer para, antes disso, adicionar inibidores químicos ou até mesmo realizar a limpeza das tubulações por remoção mecânica, utilizando dispositivos conhecidos como pig. No entanto, esses procedimentos possuem um alto custo. “Além disso, esses simuladores são conservadores, geralmente preveem espessuras de depósito maiores do que realmente são, o que também gera prejuízos econômicos e de produção. Nosso trabalho no Cepetro consiste em realizar testes em laboratório, com condições de escoamento que mimetizam as condições de produção para, assim, entender quais variáveis impactam na deposição e melhorar o ajuste dos modelos de previsão”, afirmou Guersoni. Projetos com Equinor e TotalEnergies Atualmente o Cepetro realiza dois projetos nessa área de pesquisa: um em parceria com a Equinor, no qual Guersoni é coordenadora do projeto, e outro com a TotalEnergies, no qual a pesquisadora é vice-coordenadora. “Realizamos estudos fundamentais a nível microscópio para testar hipóteses e tentar melhorar esses modelos usados nos simuladores. Eles atuam com base em equações termodinâmicas dos fluidos, mas não são 100% ajustáveis. Há outras variáveis como morfologia dos cristais formados, relacionados à composição de parafinas do óleo, que afetam as propriedades do depósito. Por isso, é importante entendermos quais são as variáveis que influenciam a deposição – e isso é particular às características de cada petróleo – para melhorar os modelos e prever com melhor precisão o que acontece no fundo do mar”, explica a pesquisadora. Entre as variáveis relacionadas com as condições de escoamento de produção estão, por exemplo, as condições de temperatura do óleo e da água externa do banho termostático, que simula a condição do leito marinho; variação da temperatura e da pressão ao longo dos dutos; composição das parafinas e se o escoamento ocorre na vertical ou horizontal. “No projeto com a Equinor, por exemplo, o desafio está no escoamento monofásico horizontal, ou seja, na tubulação que sai do poço até o início do riser. Já no da TotalEnergies, ele está no escoamento vertical, que corresponde a parte elevatória da produção (riser) até a plataforma, então envolve mais complexidades, que é a separação de fases do fluido em líquido e gás”, completa Guersoni. O Cepetro é um centro de pesquisa da Unicamp focado em petróleo, gás, energias renováveis e transição energética. Além de executar projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), o Cepetro presta serviços técnicos e de consultoria, e forma recursos humanos. n
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