Brasil Energia, nº 488, 20 de setembro de 2024 31 Com duas plataformas em processo de descomissionamento e planos de lançar leilões de venda de mais 21 unidades até 2028, a Petrobras lidera a criação dessa nova indústria no país, que pode beneficiar uma extensa cadeia fornecedora. O cenário atual é de aprendizagem e as projeções são promissoras, mas a visão de especialistas é que, sem uma política de governo e melhoria das infraestruturas, contratos bilionários podem acabar em outros países, como acontecia no passado. “O descomissionamento no offshore está em plena efervescência. No onshore ainda vai demorar um pouco para aquecer”, disse o consultor e especialista no tema Mauro Destri, complementando que a cadeia fornecedora da indústria de descomissionamento é gigantesca, “mas 90% dela sequer sabe o que pode fazer”. Existem, hoje, no Brasil, 88 plataformas com mais de 15 anos de instalação, das quais 53 têm mais de 25 anos. Neste último grupo, prevalecem ativos da Petrobras, mas há também unidades da 3R Potiguar, Perenco e Trident, segundo a ANP. Responsável por grande parte dos projetos, a Petrobras vai se desfazer de embarcações e equipamentos submarinos, principalmente, para seguir com o seu programa de revitalização de campos maduros concentrados na Bacia de Campos. Até agora, no entanto, apenas três plataformas estão no radar para serem removidas, além da P-32 e P-33, vendidas à Gerdau, em parceria com o estaleiro Ecovix. A P-32 está no estaleiro Rio Grande, onde vai ser desmantelada e preparada para ser entregue à siderúrgica sem qualquer resquício de óleo ou outro produto contaminante. Já a P-33 está no Porto do Açu, no município de São João da Barra (RJ), desde fevereiro, sendo preparada para também seguir para o estaleiro Rio Grande (RS), o que, pelo cronograma da Petrobras ao qual a Brasil Energia teve acesso, só deve acontecer no início de 2025. Antes disso, ainda em 2024, a P-26 e a P-37, instaladas no campo de Marlim, na Bacia de Campos, vão ser transportadas para a costa. Em 2025, será a vez da P-35, instalada no mesmo campo. E, em 2026, a P-26 vai ser entregue ao seu comprador. O problema é que o lançamento dos leilões para definir com quem vão ficar as três unidades – P-26, P-35 e P-37 – ainda não aconteceu. Sem um paradeiro, elas vão ficar temporariamente estacionadas em portos.
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