e-revista Brasil Energia 488

Brasil Energia, nº 488, 20 de setembro de 2024 55 A demanda por datacenters no mundo não para de crescer. Segundo relatório da Agência Internacional de Energia (IEA), a atividade dessas centrais de dados já bate nos 2% do consumo de eletricidade do mundo, com perspectiva de dobrar até 2026, chegando na média ponderada a pouco mais de 800 TWh/ano. A motivação é lógica: aumento constante da movimentação e armazenamento de dados na nuvem pela digitalização global, mas principalmente em razão do crescente uso da inteligência artificial (IA), que precisa do suporte de datacenters mais especializados e cujo consumo é ainda mais elevado. “Esses datacenters [de IA] são quase torradeiras de tanto calor, de tanta energia que consomem”, disse à Brasil Energia o vice-presidente da Associação Brasileira de Data Center (ABDC), Luis Tossi. Para ele, mesmo com os ganhos de eficiência energética constantemente agregados nos equipamentos empregados nas centrais nos últimos anos, a leitura mais correta do cenário futuro é de intensificação na demanda. “Esses ganhos podem fazer o consumo de energia ficar um pouco menor, mas na inteligência artificial o consumo é brutal e nós estamos ainda na versão 1.0 dela”, explica. Tossi cita recente pesquisa que apontou que menos de 30% dos cidadãos médios dos Estados Unidos, por exemplo, já acessaram algum tipo de serviço da chamada IA generativa, ramo da tecnologia que gera conteúdo original e autônomo. O mesmo, para ele, ocorre entre profissionais brasileiros qualificados que frequentam eventos de tecnologia que a ABDC promove. “Temos feito pesquisas informais, onde praticamente só há engenheiros que trabalham com tecnologia, e mesmo aí só cerca de 30% deles já usaram [a IA]”, diz. Se há o receio com a demanda explosiva, por outro lado a perspectiva pode ser vista como grande oportunidade para o Brasil, na avaliação de Tossi. Isso porque, em países onde há mais datacenters em operação, o consumo em elevação por conta da inteligência artificial está sufocando a oferta de energia. E pior: a maior parte dessa eletricidade tem alta pegada de carbono, de origem fóssil. “O Brasil tem energia e de qualidade, verde, e ainda um sistema interligado robusto, que pode atender esses novos projetos”, diz. Sua ressalva, porém, é a de que o país tem se mostrado menos competitivo globalmente, na atração de projetos, por conta de outras restrições: problemas com licenciamento e tributários, aí não só para compra de equi-

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