Brasil Energia, nº 488, 20 de setembro de 2024 75 Conteúdo oferecido por: O ganho potencial com a eficiência energética é maior do que a diversificação de fontes limpas para a descarbonização da matriz no Brasil. A afirmação, do presidente da Abespetro, Telmo Ghiorzi, leva em conta o pequeno crescimento da eficiência energética no país no ano passado, de apenas 1%, enquanto a Holanda, por exemplo, cresceu 14%. “Quando você soma o que pode ser feito com CCUS, com eólica offshore, com hidrogênio, com solar, tudo isso não dá o ganho da eficiência energética”, disse Ghiorzi em entrevista à Brasil Energia. Liderando a associação que representa os grandes fornecedores do segmento de petróleo e energia, Ghiorzi traz para o centro das discussões o “trilema” que envolve a transição energética. Criada pelo World Energy Council (WEC), a expressão reflete os desafios a serem enfrentados para a descarbonização, em um cenário que não prevê a eliminação da produção ou do consumo de petróleo. “Se você quiser um combustível muito limpo, ele pode ser muito caro. Se quiser um muito barato, ele pode ser muito sujo. E se você quer uma energia firme, como a própria energia do gás natural, ela pode não ser tão limpa como é a eólica, mas que não é firme. A segurança, o custo e o grau de emissões impõem um trilema difícil de resolver”, completou Ghiorzi. Para ele, o que está havendo é a adição de novas fontes na matriz energética e o desafio da transição só vai se resolver com muita tecnologia. E as 50 empresas associadas da Abespetro, segundo Ghiorzi, vão participar diretamente dessa nova cadeia, fornecendo equipamentos para CCUS, eólicas offshore, embarcações, entre outras. “Os equipamentos usados para estas soluções estão sendo desenhados, projetados e fabricados pela cadeia produtiva, hoje de petróleo, amanhã da nova matriz, que ninguém sabe ainda qual vai ser”, completou. Exportação Para fortalecer essa cadeia nacional, o presidente da Abespetro voltou a ressaltar a importância do estímulo à exportação. O propósito da Abespetro, defende ele, é aumentar o conteúdo e a atividade local, gerando muitos empregos no Brasil. Mas isso não vai acontecer com alta exigência de conteúdo local e muita multa. Ele cita, como exemplo, a indústria de equipamentos submarinos, que hoje produz com muito mais conteúdo local do que o exigido. “Em vez de falar de conteúdo local, devemos falar de conteúdo internacional. Se nós conseguimos exportar é porque conseguimos atender o mercado local com muita facilidade. Esse é o nome do jogo, exportar”. Eficiência energética: principal aliado para a descarbonização da matriz TELMO GHIORZI, presidente da Abespetro, fala sobre os investimentos e demandas da cadeia de fornecedores no contexto da transição energética ASSISTA a vídeo-entrevista
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