114 Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 Especial ROG.e 2024 A Abespetro, associação dos grandes fornecedores de bens e serviços do setor petróleo, tem se dedicado ao fortalecimento da cadeia produtiva brasileira, com foco na produção e exportação de bens e serviços de alto valor agregado. De acordo com o presidente da entidade, Telmo Ghiorzi, a ambição da entidade, muitas vezes confundida com as petroleiras, é expandir o alcance da indústria nacional para mercados internacionais. “Queremos atender não apenas o mercado brasileiro, mas também o mercado externo com bens e serviços de alta sofisticação”, explicou. Guiorzi ressalta que alguns segmentos, como o de equipamentos submarinos, se tornaram competitivos a ponto de exportar bens como árvores de natal, manifolds, entre outros. Mas, aqueles que não chegaram a esse estágio deveriam contar com mecanismos de proteção temporários, como direcionar recursos da cláusula de PD&I para desenvolver as capacidades tecnológicas dessas empresas. O setor apresenta perspectivas otimistas para o futuro. Segundo Ghiorzi, com base em dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), da Petrobras e outras petroleiras, a produção de petróleo deve continuar crescendo até pelo menos 2029, o que também impulsionará a geração de empregos. Atualmente, o setor emprega cerca de 600 mil pessoas, entre empregos diretos e indiretos, e a previsão é que esse número ultrapasse 1 milhão até o final da próxima década, considerando também o efeito renda. Contudo, a falta de mão de obra qualificada é um desafio. “É um ótimo problema ter demanda maior que a oferta. Estamos formulando uma pesquisa, junto com a ANP, IBP, Petrobras e outras entidades, para mapear a real demanda de profissionais, identificando quais perfis e competências são necessários. Assim, direcionaremos as instituições de treinamento para formar a mão de obra que o setor precisa”, detalhou o presidente. Outro ponto de atenção é a continuidade do Repetro, um regime aduaneiro essencial para a competitividade do setor. Criado há mais de 20 anos e com efeito até 2040, o Repetro é alvo de críticas por ser visto como renúncia fiscal. Contudo, Ghiorzi defende que o programa é fundamental para atrair investimentos e aumentar a arrecadação tributária. “Sem o Repetro, muitos investimentos não seriam feitos, o que comprometeria a produção e os royalties gerados pela indústria”, destacou. No cenário de transição energética, o setor também busca avanços. As empresas associadas à Abespetro estão Crescimento do setor de bens e serviços de petróleo e desafios para o futuro TELMO GHIORZI, presidente da Abespetro, fala sobre o crescimento da atividade industrial, os desafios da falta de mão de obra e a relevância do Repetro para os investimentos. ASSISTA a vídeo-entrevista
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