e-revista Brasil Energia 489

122 Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 Especial ROG.e 2024 Existe sim. A Petrobras já esteve no etanol e está no biodiesel. Saímos do etanol, de onde nunca deveríamos ter saído. Só que, hoje, o etanol começa a aparecer com outros contornos. É um etanol que se vale da economia circular, da sustentabilidade. É um etanol possível de ser fabricado a partir do melaço e do vinhoto de cana-de-açúcar. É um etanol que pode ser de segunda geração. Então, estamos falando de etanol de primeira e segunda geração, fruto de economia circular. E nós vamos fazer SAF, dentre outras coisas, com resíduo animal também. Sobre a Margem Equatorial, qual o limite de prazo para esperar pelo licenciamento antes de deslocar os US$ 3,1 bilhões de investimentos para outro projeto? Nós estamos certos do potencial da área. Então, nós vamos insistir. A Petrobras é uma empresa de diálogo. Nós vamos mostrar para a sociedade brasileira, todos os dias, os benefícios dessa exploração e como a empresa está ciente da sua responsabilidade ambiental e social. Esse é um trabalho contínuo. Ele vai persistir até que chegue o grande dia em que a gente obtenha finalmente essa licença. Espero que não demore muito, porque, se demorar muito, ocorrerá em detrimento do país. A chuva no Rio Grande do Sul, os desmatamentos e as queimadas que estão acontecendo pressionam a população contra a indústria de petróleo e contra a exploração da Margem Equatorial? Eu sou de um tempo em que o governo federal ligava para a Petrobras e dizia: ocupe a Amazônia a qualquer custo. Essa Amazônia é local de contrabando de madeira, de desmatamento ilegal, de exploração sexual de criança e adolescente, de luta armada. E nessa época toda, quando o governo brasileiro chamava a Petrobras para desenvolver, por exemplo, o Polo Urucu, o que ele queria era a atividade legal, formal, ocupando espaço do território brasileiro. Eu vejo o benefício da atividade humana controlada, dentro da legalidade, respeitando as regras, as pessoas e o meio ambiente. A atuação da Petrobras não pode fugir dessas premissas. O movimento dos ambientalistas afeta a indústria de óleo e gás? Os ambientalistas fazem o seu papel. É importante que eles exijam respeito ao meio ambiente. É importante que eles lembrem todos os dias que o Brasil se preocupa com isso. Mas é preciso também entender que a diferença entre remédio e veneno é só a dose. A gente tem que prestar atenção no que a gente faz de bom. Se a gente errar o tom e ultrapassar esse tom, toda boa intenção se vira contra nós e passa a ser ruim. O que a gente tem para fazer por aquela área é uma descentralização de uma atividade exploratória importante em benefício das regiões Norte e Nordeste do país. Essa foi a premissa da 11ª Rodada, quando o Brasil licitou essas áreas. Não é razoável que todo investimento em petróleo, da ordem de US$ 100 bilhões no quinquênio, seja todo concentrado na região mais rica do Brasil, que é o Sudeste.

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