e-revista Brasil Energia 489

Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 153 “Hoje o que temos no Brasil é uma tarifa volumétrica, sem sinal horário, resume Ângela Gomes, diretora técnica da consultoria PSR. “Todo mundo paga em reais por kilowatt hora independente da hora do dia e independente do local da concessão de distribuição, exceto quem está no grupo de tarifa social”, completa. Isso significa que um morador do Leblon, no Rio de Janeiro, que usufrui de uma rede subterrânea de melhor qualidade, é tarifado da mesma forma que outro morador de um bairro periférico, atendido por uma rede aérea que pode ser afetada por eventos climáticos severos. Não existe um fator de cobrança horário e nem locacional, dois termos importantes sobre a tarifação na BT. Com uma tarifa sem diferenciação e baseada num único fator (monômia), o cliente também não tem incentivo para reduzir seu consumo em horário de pico ou mesmo organizar melhor o uso da energia ao longo do dia. As distribuidoras, por sua vez, têm informações limitadas sobre o padrão de consumo para melhorar sua operação e, principalmente, o planejamento de investimento em rede. Esse cenário poderá mudar com os chamados sandboxes tarifários, projetos experimentais encampados por algumas distribuidoras autorizadas pela Aneel e que vão estudar novas modalidades de tarifas para a baixa tensão. De acordo com o site da agência, sete projetos tiveram a resolução autorizativa para avançarem – quatro no ano passado e outras quatro nesse ano. A Light é a mais recente e também teve seu projeto aprovado, somando oito experimentos. O projeto mais avançado é o da Energisa, primeira concessionária a iniciar os experimentos, começando com 4 mil consumidores de sua subsidiária Sul-Sudeste (ESS). Eles podem optar por dois tipos de precificação desde o começo de novembro e vão vivenciar as novas tarifas durante um período de 12 meses. Ou seja, em novembro de 2025, quando o experimento for encerrado, essa primeira parcela de clientes vai trazer subsídios para o estudo de novas tarifas. Em tempo: a distribuidora vai realizar um projeto amplo, com 20 mil consumidores de três de suas subsidiárias, incluindo os estados de Tocantins e Paraíba. Morador do Leblon ou de São Conrado, no Rio de Janeiro, que usufrui de rede subterrânea é tarifado da mesma forma que um morador da vizinha Rocinha, atendido por rede aérea sujeita a efeitos de eventos climáticos severos Foto: Mariah Assunção/Expedia

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