e-revista Brasil Energia 489

Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 33 numa crônica do que se passava no Brasil e no mundo nos anos 1940. Um dia, finalmente, Eduardo cede aos convites de Rodrigues para passar uma temporada no seu “refúgio” no Espírito Santo. O engenheiro mora com a família que constituiu no local em que chegou por acaso e não mais deixou. Anos antes havia sido designado pela construtora onde trabalhava no Triângulo Mineiro para examinar a possibilidade de recuperação de uma pequena hidrelétrica de um líder político do interior capixaba. A usina estava dando prejuízo. O diagnóstico é rápido. A velha usina carecia de cuidados técnicos e modernização do maquinário. Seduzido pelo projeto e pela neta do cacique, Rodrigues entra na sociedade e salva a usina, fazendo dela seu novo e próspero meio de vida. Recupera também a casa-sede da hidrelétrica para nela viver e constituir família. “Isto aqui é um refúgio, um refúgio que a nossa pródiga natureza me ofereceu e que eu ajudei a prosperar com meu trabalho”, diz ao amigo Eduardo durante um passeio pelas instalações e arredores. O refúgio de Rodrigues hoje se chamaria Pequena Central Hidrelétrica (PCH) e talvez ele, seduzido pelas facilidades urbanas, optasse por fazer dela apenas sua fonte de renda ou até um refúgio ocasional. Daqueles anos 1940 para cá a “pródiga natureza” brasileira permitiu que as hidrelétricas se multiplicassem, crescessem e se tornassem a base energética do desenvolvimento econômico do país. No final dos anos 1990, quase 60 anos após a época em que se passa o romance de Rebelo, o Brasil redescobriu as pequenas hidrelétricas como alternativas para, ao lado das grandes, aproveitar as quase infinitas possibilidades oferecidas pela natureza para gerar energia limpa, barata e sustentável. De acordo com dados disponíveis no site da Aneel, existem atualmente em operação no Brasil 428 PCHs e 681 Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs), totalizando 1.103 usinas de até 30 megawatts (MW) de capacidade de geração e somando uma capacidade instalada total de 6.690,1 MW. As PCHs somam 5.833,8 MW e as CGHs, 856,3 MW. Para o leitor menos familiarizado com as minúcias das fontes de geração elétrica, simplificadamente, CGH é uma usina com menos de 5 MW de capacidade e cuja construção precisa ser comunicada à agência reguladora, mas não depende de uma permissão (outorga) formal, carecendo somente de uma autorização da agência de águas (ANA) para uso de recursos hídricos. Já a sigla PCH engloba as hidrelétricas com capacidade entre 5 e 30 MW e sua construção depende de uma outorga de autorização da Aneel, forma de permissão mais simplificada do que uma concessão, categoria a que estão sujeitas, por exemplo, as usinas hídricas com mais de 30 MW (UHEs). Tanto PCHs quanto CGHs estão sujeitas ao licenciamento ambiental do órgão competente.

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