34 Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 HIDRELÉTRICAS, ÁGUA E SUSTENTABILIDADE As estatísticas da Aneel apontam ainda que em outubro deste ano estavam em construção no Brasil 31 PCHs, somando 441,7 MW, e quatro CGHs (11,1 MW), totalizando 452,8 MW. Com outorga, mas com a construção ainda não iniciada, o site da agência aponta 59 PCHs com 758,7 MW de potência projetada. Somadas, as pequenas hidrelétricas em operação, em construção e as já outorgadas acumulam capacidade instalada de 7.902,6 MW, muito perto da capacidade total da UHE Tucuruí (8.370 MW), segunda maior hidrelétrica brasileira e sétima do mundo. Mas se a conta incluir os aproveitamentos já identificados (inventariados) mas não projetados, vai muito mais longe. De acordo com o Caderno de Tecnologias de Geração 2023 da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Brasil ainda possui um potencial de pequenas hídricas a desenvolver de 14 mil MW, o que equivale uma Itaipu Binacional, a segunda maior usina do mundo. A EPE ressalva que esse potencial é teórico, ou seja, a depender de limitações técnicas, econômicas e/ou ambientais, uma parte pode não se viabilizar. Feita a ressalva, somados os inventários com as outorgas e as usinas operando, as pequenas hidrelétricas podem chegar a cerca de 22 mil MW de capacidade, mais de 10% da atual capacidade instalada do SIN. O histórico de construção de pequenas hídricas da Aneel, iniciado em 1997, quando a agência foi fundada, mostra que a partir de 2002, após o susto que o país tomou com o apagão iniciado no ano anterior por falta de investimentos no setor, as PCHs reaparecem como uma das principais alternativas para reequilibrar oferta e demanda com energia de base não poluente. De apenas um MW incorporado em 2001 a estatística de novas PCHs/ CHGs salta para 56 MW em 2002, chega a 268 MW no ano seguinte e em 2008 alcança o recorde de 643 MW incorporados à matriz. Após 2013 o ritmo de entrada em operação de novas pequenas usinas arrefeceu e a estatística tem se mantido entre as casas dos 100 e 200 MW anuais. Avanço no IDH e queda da desigualdade A presidente da ABRAPCH, Alessandra Torres, destaca que as hidrelétricas, tanto as pequenas quanto as grandes, desempenham papeis que vão muito além da geração de energia e ressalta que o Brasil, com 12% da água doce disponível no mundo, não pode abrir mão de continuar desenvolvendo essa vocação. “A gente precisa olhar para essa fonte [hídrica] com mais carinho, com mais cuidado, entendendo qual o papel exato que esses empreendimentos têm não só no setor elétrico, mas para os vários usos da água, entender que o armazenamento vai ser cada vez mais fundamental nestes tempos de mudanças climáticas”, pondera. Torres afirma que PCHs e CGHs representam “desenvolvimento regional na veia” e cita o estudo feito pe-
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