e-revista Brasil Energia 489

50 Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 distribuição sistemas digitais de medição (29%) e preparação da rede para novos usos (10%). O valor dos investimentos foi apresentado pela diretora executiva da Adelat, Alessandra Amaral, no 16º Fórum Latino-Americano de Redes Inteligentes, realizado no final de outubro em São Paulo. No caso do Brasil, a associação aponta a necessidade de US$ 90 bilhões até 2040. O montante representa um investimento médio anual de mais de R$ 30 bilhões. “São números expressivos, mas é importante lembrar que não realizar esses investimentos implicará em outros tipos de custos”, alertou Alessandra. Para ela, a tendência é que os problemas de inadequação das redes para a absorção das energias de fontes renováveis variáveis e falta de resiliências aos eventos climáticos extremos, só devem aumentar nos próximos anos. Uma das alternativas para reduzir o repasse da conta para os consumidores é possibilitar que as distribuidoras ofereçam outros serviços aos consumidores, além da comercialização da energia elétrica. “Teremos nos próximos seis anos a renovação de 19 concessões de empresas de distribuição de energia e, no processo de recontratação, está previsto a liberação que as concessionárias prestem outros serviços como, por exemplo, o de telecomunicações”, destacou o superintendente de Regulação dos Serviços de Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica da Aneel, Carlos Alberto Mattar. De acordo com ele, a agência abriu em outubro processo de consulta pública que visa ouvir o mercado e a população sobre a renovação dos contratos de concessões para as distribuidoras. “Incluímos também nos novos contratos metas de eficiência na recomposição dos serviços após eventos climáticos extremos”, completou. Expansão da geração distribuída A necessidade de regras claras e lastreadas em boas técnicas para a expansão da geração distribuída no Brasil também foi tema discutido e é consenso entre presidentes, diretores e altos executivos de CPFL, Energisa, Celesc, Neoenergia, Cemig e Copel. “A geração distribuída vai exigir muito da nossa rede. Vamos ter de pulverizar mais transformadores e reduzir a rede secundária. Mas a Aneel vai ter de regrar o despacho, já que não será possível negociar o despacho com cada minigerador. E o regulador sabe deste desafio”, afirmou o vice-presidente da CPFL, Luis Henrique Ferreira Pinto. Para o diretor de Operação e Manutenção da Copel, Julio Omori, os medidores inteligentes e outras novas tecnologias podem ser importantes. Ele acredita que as ferramentas fornecem mais informações aos distribuidores, o que permitirá monitorar novos tipos de elementos das redes. Omori destacou que o investimento amplo em redes inteligentes possibilita ganhos em diversas áreas para as distribuidoras, com novas modalidades tarifárias, observação e controle dos equipamentos conectados à rede, a criação do mercado livre de baixa tensão, o apoio à transição energética, a melhoria da qualidade de aten-

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