Brasil Energia, nº 490, 28 de janeiro de 2025 101 | POR CELSO CHAGAS | A possibilidade de contratação de termelétricas existentes a gás natural para entrada em operação entre 2028 e 2030 - e não apenas novas, como inicialmente previsto - no leilão de reserva de capacidade (LRCap) serve de alento do ponto de vista da questão climática, tendo em vista que inicialmente as regras eram ainda piores. A avaliação é do Instituto E+ Transição Energética. “O ideal seria o país não depender de fontes fósseis para a geração de energia elétrica. Por ora, isso não é possível, mas precisamos romper esse ciclo”, alerta a diretora-executiva da entidade, Rosana Santos. Para ela, a contratação de novas usinas prolongaria a expansão de uma infraestrutura de longa vida útil associada a uma alta taxa de emissão de poluentes, tornando ainda mais difícil uma transição efetiva para infraestruturas e uso de fontes de energia menos carbono-intensivas. “A contratação de novas térmicas ameaça a ambição de o país se posicionar como um importante ator em favor da descarbonização global, por meio da fabricação de produtos de baixas emissões de carbono para uso próprio e para o mercado internacional”, completa a diretora. Além disso, Santos lembra que decisões de investimentos desse tipo tendem a se concretizar apenas em médio e longo prazo, quando as fontes fósseis devem estar perdendo espaço em favor do protagonismo da energia limpa e de outras soluções de descarbonização. “Tais decisões, portanto, acabariam por acentuar nosso lock in tecnológico em investimentos que dificilmente serão recuperados”, Resposta da demanda Ao invés da geração térmica, o Instituto E+ defende mais espaço para a resposta da demanda no aumento da flexibilidade necessária ao sistema elétrico para o atendimento do horário de ponta. O mecanismo funciona por meio do estabelecimento de contratos com grandes consumidores semelhantes aos feitos com geradores. A diferença é que, ao invés de entregarem energia quando forem despachados, esses agentes deixam de consumi-la, com agilidade de entrada e saída semelhante à de uma hidrelétrica. Segundo a entidade, além de ser amigável em termos de emissões de gases de efeito estufa, a alternativa pode ter custos inferiores à geração térmica, como mostra estudo que lançou em junho do ano passado. n Contratação de térmicas existentes é alento no contexto climático Para o Instituto E+ Transição Energética, as regras anteriores do LRCap eram piores e resposta da demanda deveria ganhar mais espaço para atendimento do horário de ponta
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