Brasil Energia, nº 490, 28 de janeiro de 2025 109 minhonetes e três carros leves para restaurar a rede em mais de 34 cidades gaúchas. A informação também precisa fluir para o consumidor final. É claro que os dados técnicos não serão compartilhados, mas existe a possibilidade de ter respostas resumidas e atualizadas, que vão inclusive desafogar as centrais de atendimento ao cliente. Além de aumentar a transparência, a iniciativa tem um peso importante no momento em que se discute os novos padrões das concessões de distribuição. O ponto de vista de Aleixo é compartilhado por Franceli Jodas, da KPMG. Para ela, a tecnologia pode ajudar na criação de um novo perfil das distribuidoras, que engajam seus clientes de forma positiva. O cruzamento de dados das equipes de campo com as centrais de atendimento mostra a possibilidade de fornecer informações atualizadas sobre tempo de recuperação da rede, inclusive via aplicativos das próprias concessionárias. O engajamento também precisa chegar às terceirizadas. É o caso do desligamento de serviço por falta de pagamento. Franceli destaca casos de concessionárias onde o pagamento pode ser feito via pix, eliminando a dívida. A integração de sistemas permite que a área financeira seja comunicada rapidamente e evite o corte. “A informação precisa fluir para todos, caso contrário o terceirizado vai executar a ordem de serviço”, argumenta. “Se isso não acontecer, a imagem da distribuidora é afetada, o que é ruim em tempos de renovação de concessão”. O que diz o relatório Segundo a Arthur D. Little, a gestão melhorada das equipes de campo envolve a visão integrada e a tecnologia ganha destaque na jornada, começando com aplicativos de informações georreferenciadas (GIS). Inseridos nos dispositivos móveis das equipes de campo, eles podem ser combinados com os sistemas de gerenciamento de força de trabalho (WFM). Com isso, as concessionárias têm uma visão em tempo real e ao mesmo tempo precisa do estado dos reparos. A roteirização prévia pode reduzir o tempo de deslocamento entre 20% e 30%, segundo o relatório da consultoria. Nesse processo, as concessionárias podem integrar a automação robótica de processos (RPA, que combina a Inteligência Artificial (IA) para atribuir automaticamente as ordens de serviço. No dia a dia, as equipes podem ser beneficiadas com ferramentas inteligentes, incluindo sensores de calor para avaliação de ativos, e o uso de realidade aumentada ou virtual para aumentar a precisão das análises. É o caso dos óculos inteligentes, que permitem que o ativo seja inspecionado pelo técnico de campo, com imagens enviadas – ao mesmo tempo – para outros especialistas remotos. A gestão de terceiros também faz diferença: nas distribuidoras onde o processo está mais refinado, as falhas relacionadas aos parceiros são menores, segundo o histórico da consultoria: menos de 1%, quando a média – onde o processo não está otimizado – oscila entre 5% e 8%.
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