Brasil Energia, nº 490, 28 de janeiro de 2025 11 O senhor comentou em alguns artigos sobre as hidrelétricas reversíveis, que talvez fosse um caminho. Mas não se esbarraria na legislação ambiental? Há dificuldade de criar reservatórios no Brasil e já não temos aqueles grandes projetos de hidrelétricas. O senhor acha viável a gente ter mais reservatórios para armazenar mais água e gerar mais eletricidade em momento de escassez hídrica, por exemplo? As usinas reversíveis não têm o objetivo de aumentar a produção de energia. Ao contrário, elas diminuem a produção de energia, em média, porque elas consomem energia. E nem sequer elas são um antídoto para a seca. Não é para isso... Na realidade, as usinas reversíveis competem com as baterias. Por exemplo, a geração solar só produz energia durante o dia, com o sol, e seria preciso armazenar o excesso de energia em baterias, que são ainda muito caras. Ou se pode usar uma usina reversível, com dois reservatórios: um inferior e um superior. Então, na realidade, se usa mais energia para bombear a água e fazê-la subir. Assim, uma usina reversível consome energia em média. Mas ela usa energia quando ela é barata, quando há mais oferta no sistema. E ela produz energia quando já não tem mais sol. É um complemento muito interessante para solares e eólicas, como se fosse uma bateria. Mas aí não esbarramos na questão ambiental, por precisar construir mais um reservatório? Eu não vejo nenhuma dificuldade ambiental nas reversíveis. Porque os conflitos da construção de reservatórios são associados às usinas tradicionais, que constroem uma barragem em um rio existente. E no rio existente tem população e tem atividades ali. No caso de uma reversível, suponhamos o caso mais comum: já existe um reservatório no rio e agora se quer simplesmente construir um reservatório superior. Esse novo reservatório não é mais no rio. Na realidade, é preciso procurar nas montanhas algum local em formato de cumbuca para que seja fechado e se possa jogar água ali. Então, escolhendo direito, o impacto ambiental é muito pequeno, porque não está confinado ao rio. Você pode vasculhar em ampla região onde você vai fazer o reservatório superior. Será certamente num local desabitado ou onde more pouca gente. Existe um modelo chamado Hera, desenvolvido pela PSR, que é capaz de identificar esses locais todos. Temos sorte porque os centros de alto consumo de carga são junto à Serra do Mar – São Paulo, Rio de Janeiro, principalmente – e se pode concentrar as reversíveis nessa região. Tem afinidade com os locais. Eu não vejo conflito, nem ambiental, nem social. Como já foi dito, os recursos hídricos têm usos diversos. Antes eram primordialmente para a geração de energia e hoje temos a captação de água para abastecimento das cidades, para a agricultura, para a indústria, para o transporte de bens. O que pode ser feito para salvaguardar a água? Parte da minha vida foi dedicada a tratar dessa questão. Me dediquei à criação da ANA, e depois fui seu primeiro
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=