Brasil Energia, nº 490, 28 de janeiro de 2025 111 O crescimento da demanda global de eletricidade deve chegar a 3,4% ao ano a partir de 2026, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). Em reportagem recente, a revista T&D prevê um número ainda maior - 4% - e estima que 80 milhões de km de redes deverão ser substituídas até 2050 para dar conta da demanda de energia. Tal expansão custaria US$ 2,5 trilhões até 2035, pois os investimentos incluiriam desde ativos como transformadores até novas soluções de armazenamento. Para acomodar o desafio macro citado acima, uma das soluções que vem tomando forma são as microrredes, capazes de operar como um minissistema completo. Em artigo publicado em 2022, pesquisadores do Gesel, da UFRJ, explicam que as microrredes são consideradas pequenas, tanto em termos de extensão quanto em de potência elétrica. Em outras palavras: sua cobertura seria de dezenas de quilômetros quadrados, com potência estimada, no máximo, em dezenas de megawatts. Luiz Carlos Pereira da Silva, professor da Unicamp e coordenador do projeto Campus Sustentável da universidade paulista, explica que o principal diferencial desse tipo de instalação é a integração de diversas novas tecnologias, incluindo fontes renováveis e soluções de armazenamento. “Com as microrredes, o problema da intermitência de geração renovável fica resolvido”, justifica, citando uma das vantagens da tecnologia. Em conversa com a Brasil Energia, Silva lembra que os projetos de microgrids, como são conhecidas internacionalmente, devem envolver algum tipo de fonte despachável, que pode ser fóssil como gás natural, mas também deve incluir uma paleta de soluções renováveis, como o biometano. Com essa garantia, elas ganham autossuficiência e operam de forma autônoma, na configuração isolada (off grid), ou integradas à rede (on grid). O importante é que as microrredes tenham a capacidade de suprir sua área de cobertura, mesmo em situações extremas de blackout. O caso mais destacado no Brasil é o da instalação do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. Mesmo com o apagão que atingiu o Nordeste em agosto de 2023, a energia no CLA funcionou normalmente em função da microrrede desenvolvida pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) em parceria com a Equatorial. E será o caso do CampusGrid, a instalação energizada pela CPFL, em novembro, dentro da Unicamp. Projeto de P&D no âmbito da Aneel, a iniciativa inclui painéis solares fotovoltaicos que somam 565 kWp de capacidade, combinados com um sistema de armazenamento de baterias (BESS) de 1 MW. Essa configuração garante uma autonomia de 2 horas de operação, em caso de apagão. A fonte despachável é formada pelo gerador a gás natural, abastecido pela Comgás, o que agrega mais dez horas de autonomia. O CampusGrid também tem um sistema inteligente de gestão de energia (EMS), que controla toda a operação. Essa é outra característica diferenciadora das microrredes: com elas é possível ter uma gestão mais interativa e detalhada do consumo de energia. Na avaliação de pesquisadores do Gesel, isso acontece porque o sistema tem como função alimentar as cargas localmente, com plantas de geração menores, a partir de limites elétricos definidos.
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