e-revista Brasil Energia 490

Brasil Energia, nº 490, 28 de janeiro de 2025 119 O Brasil começa a estudar uma fonte de energia presente em todo o seu território e que, apesar dos múltiplos benefícios, vem sendo ainda ignorada. Diferentemente dos países onde a geotermia é usada para a geração de energia, no Brasil é possível capturar o calor da Terra para aplicações na climatização de edifícios ou em processos industriais, por exemplo. Outro grande potencial é sua aplicação em poços de petróleo depletados, capazes de gerar calor em ciclo fechado, servindo à indústria de O&G como mais uma alternativa de compensação ambiental. É como se o planeta funcionasse como uma grande bateria que armazena energia renovável e firme, ajustando- -se, portanto, à conjuntura marcada pela transição energética e por fontes de energia firmes, que deem segurança ao sistema elétrico. De acordo com o Plano Nacional de Energia (PNE – 2050), citando dados de 2019, mais de 3 milhões de plantas em 54 países do mundo e 73 GW instalados para produção de calor se valiam da geotermia superficial, principalmente na China, Estados Unidos e Europa. O PNE destaca que essa fonte permite uma redução do consumo final de energia em mais de 60% para a produção de energia térmica e de 20% a 60% para resfriamento. Considerando- -se os recentes picos de demanda enfrentados no Brasil em dias tórridos, por conta do uso de aparelhos de ar-condicionado, é possível avaliar facilmente as oportunidades existentes para aplicação dessa tecnologia no país. Em regiões como a Islândia, as condições geológicas como vulcões, gêiseres, fontes termais ou locais de encontro de placas tectônicas favorecem a implantação de usinas geotérmicas que geram eletricidade. No Brasil, as características dos recursos geotérmicos não favorecem a geração de energia, mas permitem o aproveitamento da energia geotérmica localizada mais próxima da superfície para a climatização de edifícios e para a produção de calor para processos industriais, por exemplo. O resultado dessas aplicações é uma redução dos gastos Parque estadual da Serra de Caldas, entre as cidades goianas de Caldas Novas e Rio Quente, foi criado em 1970 e tem a maior estância e balneário hipertermal do mundo, com águas que brotam do chão a temperaturas que variam de 20° a 60°

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