120 Brasil Energia, nº 490, 28 de janeiro de 2025 renováveis com energia elétrica valendo-se de uma fonte renovável e firme. Cristina Tsuha, professora da Escola de Engenharia de São Carlos (Eesc) da Universidade de São Paulo (USP) (foto), vem atuando em pesquisas em duas frentes em que a eficácia do uso da energia geotérmica para a climatização será avaliada: um prédio experimental e um muro de contenção, ambos adaptados para o aproveitamento dessa fonte. Sistemas semelhantes vêm sendo utilizados com sucesso na Europa e nos Estados Unidos há duas décadas, mas ainda não se tem uma avaliação para sua aplicação nas condições de solo e clima do Brasil. Na Escola Politécnica, no campus da USP em São Paulo, está em construção um prédio experimental do Centro de Inovação em Construção Sustentável, o Cics Living Lab, que servirá de ambiente para testes da eficiência da troca de calor entre o subsolo e as estacas de fundação para a climatização do edifício. O sistema envolve a captação ou rejeição do calor do solo por meio das estacas que integram a fundação do edifício. As estacas permitem uma grande área de contato com o solo, facilitando a troca térmica, e, com a ajuda de tubos implantados em seu interior por onde circula um fluido, a energia geotérmica chegará ao edifício, onde uma bomba geotérmica se encarregará de realizar a troca de calor. De acordo com os cálculos de especialistas envolvidos na pesquisa, a expectativa é que esse sistema proporcione redução de 40% a 60% dos gastos com energia nos edifícios, dependendo de condições como a condutividade do solo, por exemplo. No campus de São Carlos, os testes envolverão o aproveitamento de energia geotérmica a partir de um muro de contenção, visando a climatização de uma área fechada na universidade. Também nesse caso a expectativa é a utilização para proporcionar resfriamento. O método é simples. Implanta-se uma serpentina atrás do muro onde circula água e, por meio dela, se faz a troca de calor por meio das paredes enterradas. O uso de muros de contenção para a obtenção do calor do solo tem grande difusão na Europa, principalmente em estações de metrô, onde é aplicado para aquecimento. Para os testes realizados em São Carlos foi construído um muro de contenção ‘fake’ no campus, com profundidade de 4 metros. A meta é verificar a eficiência da troca de calor com o solo com o objetivo de refrigerar o ambiente de uma área próxima. CRISTINA TSUHA, professora da USP: empresas querem verificar a possibilidade de usar a energia geotérmica em seus processos
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