Brasil Energia, nº 490, 28 de janeiro de 2025 127 riscos de desenvolvimento de projetos, processos de licenciamento e permissão, preocupações ambientais e aceitação social. Dados da Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena) mostram que a energia geotérmica esteve, no período de 2013 a 2022, entre as fontes de energia limpa que receberam menos investimentos. Em um cenário em que a geração fotovoltaica e a geração eólica desfrutaram da quase hegemonia na busca pela descarbonização e pela transição energética, tendo recebido, respectivamente, 46% e 32% dos investimentos no período, a energia geotérmica, juntamente com a geração hidráulica, biomassa e biocombustíveis, foram alvo de apenas 7% dos aportes. E, nessa fatia, a geração hidráulica contou com a maior parte dos recursos desembolsados pelos investidores. A Irena acredita que serão necessários mais investimentos para que a energia geotérmica e as fontes limpas com participação minoritária na expansão da energia renovável ganhem competividade e assumam um papel mais importante na transição energética. Para a AIE, contudo, avanços na tecnologia, que envolvem perfuração horizontal e fraturamento hidráulico aprimorados pela atividade petrolífera na América do Norte, proporcionam novos horizontes para esta fonte. O potencial da utilização da energia geotérmica também é significativo quando se trata de climatização de edifícios, oferta de calor nas indústrias e aquecimento urbano. O potencial geotérmico global de aquíferos sedimentares em profundidades de até 3 km e temperaturas maiores que 90°C é estimado em cerca de 320 TW. Com essas condições, a energia geotérmica torna- -se competitiva em relação a combustíveis fósseis no aquecimento urbano, contribuindo para a descarbonização desse segmento. A AIE destaca que governos, empresas de petróleo e gás e concessionárias de serviços públicos são os agentes que demonstram maior apetite por investimentos em energia geotérmica. Mais recentemente, empresas de tecnologia, principalmente as que se dedicam ao desenvolvimento da inteligência artificial, passaram a considerar a energia geotérmica como alternativa possível para atender a elevada demanda de seus data centers. Caso os avanços resultem em reduções de custos significativas, os investimentos totais em energia geotérmica podem atingir US$ 1 trilhão, cumulativamente, até 2035, e US$ 2,5 trilhões até 2050. Fonte: IEA
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