16 Brasil Energia, nº 490, 28 de janeiro de 2025 Wagner Victer é engenheiro, administrador, ex-secretário de Estado de Energia, Indústria Naval e do Petróleo, e ex conselheiro do CNPE. Escreve mensalmente na Brasil Energia. Wagner Victer Ao final da década de 1990, já como Secretário de Estado de Energia, Indústria e Petróleo, recordo-me das discussões que eu mantinha com um dos parlamentares mais atuantes da Bahia no setor de Energia no Congresso Nacional, José Carlos Aleluia. Debatíamos sobre como deveríamos buscar incentivos a novas fontes de energias renováveis, na ocasião ainda de tecnologia incipiente, como a eólica, a biomassa e as pequenas centrais hidrelétricas (PCH). Essas reflexões embasaram a criação do Proinfra, que estabeleceu, como política indutora, a compra compulsória de 3.300 MW dessas fontes. Esse programa impulsionou, de forma determinante, a realidade que vivemos hoje, em que tais fontes têm amplo sucesso em bases competitivas. A energia geotérmica é uma fonte renovável e sustentável de energia, obtida a partir do calor natural da terra, e tem desempenhado um papel importante e crescente na transição energética global, sendo utilizada para a geração de eletricidade e para aquecimento direto em diversas regiões do mundo. Em países como os Estados Unidos, onde existe o chamado “cinturão geotérmico” na Califórnia e em Nevada, o campo “The Geysers” é considerado o maior complexo geotérmico do mundo, onde a geração já é relevante. Também nas Américas, países como o México possuem grande capacidade. Na Europa, a Itália é considerada o berço global da energia geotérmica moderna, com a usina de Landerello, além de países como Alemanha e Turquia, que utilizam tecnologias de bomba de calor. Para o público, o caso mais conhecido é o da Islândia, onde cerca de 25% da energia elétrica deriva dessa fonte, em contraste com seu clima e ambiente gelados. Na Ásia e na Oceania, as maiores participações são nas Filipinas e na Indonésia. Já na África, destacam-se as usinas do Quênia. Os benefícios da energia geotérmica são diversos, especialmente por ser de caráter renovável, sustentável e inesgotável dentro da escala de consumo humano, além de apresentar baixa emissão de carbono. É, sobretudo, uma fonte confiável, por fornecer “energia de base” independentemente de condições climáticas. Segundo o Relatório “The Future of Geothermal Energy”, publicado pela Agência Internacional de Energia (IEA) em dezembro de 2024, as perspectivas para o crescimento global da geotermia são extremamente promissoras. Com contínuas melhorias tecnológicas e reduções nos custos de projeto, essa fonte de energia poderia suprir até 15% do crescimento da demanda global de eletricidade até 2050. Isso significaria a implantação economicamente viável de aproximadamente 800 GW de capacidade de geração geotérmica em todo o mundo, produzindo quase 6.000 terawatt-horas por ano, o que equivale à demanda elétrica atual somada dos Estados Unidos e da Índia. Outro ponto destacado pela IEA é o fato de a geotermia proporcionar eletricidade ininterrupta, bem como calor e até armazenamento de energia. Por ser contínua, as usinas geotérmicas podem operar em sua capacidade máxima o dia inteiro, ao longo de todo o ano. Em 2023, a taxa média de utilização da capacidade geotérmica global superou 75%, comparativamente a menos de 30% para a energia eólica e menos de 15% para a solar fotovoltaica. Além disso, essas centrais podem operar de forma flexível, contribuindo para a estabilidade das redes elétricas, garantindo o atendimento à demanda em todos os momentos e apoiando a integração de fontes renováveis variáveis, como a solar e a eólica. Energia Geotérmica: nova perspectiva no Brasil Continue lendo esse artigo em: /energia/energia-geotermica-uma-novaperspectiva-no-brasil
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