Brasil Energia, nº 490, 28 de janeiro de 2025 25 A planta-piloto de hidrogênio verde às margens do reservatório da UHE Itumbiara, Goiás, oitava maior hidrelétrica 100% brasileira (2.082 MW), foi inaugurada em dezembro de 2021, com investimento de R$ 45 milhões da então subsidiária da Eletrobras, Furnas Centrais Elétricas, hoje incorporada à holding. O projeto foi enquadrado no programa de P&D da Aneel. Naquele momento, o hidrogênio já era a principal aposta das sociedades para a descarbonização em massa dos processos com uso de energéticos fósseis, como forma de combater o aquecimento global e as consequentes mudanças climáticas aceleradas. Contudo, o grau de urgência era diferente. A pressa foi potencializada dois meses depois, com a eclosão da guerra Rússia-Ucrânia em fevereiro de 2022 e sua sequela econômica imediata, o impasse no fornecimento de gás natural russo para a Europa Ocidental. O mundo, especialmente a Europa, precisava acelerar a busca por uma alternativa, que, dada a batalha contra o efeito estufa, não fazia sentido ser algo que não fosse direcionado ao net zero. Foi neste contexto que o eletrolisador de Itumbiara começou a fabricar e armazenar hidrogênio 100% verde. A configuração inicial definia que a energia destinada a alimentar o processo de eletrólise da água para a produção do hidrogênio seria exclusivamente solar fotovoltaica, a partir de uma planta terrestre de 800 kilowatts pico (kWp), complementada por painéis flutuantes sobre o espelho do reservatório, de 200 kWp. Foi a primeira planta de hidrogênio por eletrólise da água a entrar em produção no Brasil. A partir das primeiras experiências, ficou decidida a descontinuidade da planta solar flutuante e a complementação da energia solar produzida em terra passou a ser feita com geração da UHE Itumbiara, permitindo que a produção do hidrogênio pudesse ocorrer no esquema 24 x 7, ou seja, 24 horas por dia, sete dias por semana. Victor Ricco, gerente de e-combustível da Eletrobrás, explica que uma das primeiras conclusões tiradas ao longo desses primeiros três anos de funcionamento da planta de Itumbiara foi que “para ter preço competitivo a produção de hidrogênio precisa ter energia constante”. Dessa forma, a energia para a eletrólise não pode ser totalmente de uma fonte variável como a solar e a eólica. Neste ínterim, conforme explicou o especialista, foram superados todos os questionamentos quando à condição 100% limpa e renovável da fonte hidrelétrica. Esses Piloto de hidrogênio verde inaugurado há três anos, ao lado da hidrelétrica, mostrou os caminhos da competitividade para a produção brasileira de H2V. Um fator importante é a produção contínua em regime 24 x 7 | POR CHICO SANTOS |
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