Brasil Energia, nº 490, 28 de janeiro de 2025 33 Quando o Brasil enfrentou sua mais severa crise energética, em maio de 2001, tendo que racionar 20% da demanda por eletricidade, o rio Tocantins contribuía com 5.275 MW para a geração total do país de aproximadamente 68.000 MW, descontada a autoprodução. Eram 4.000 MW de Tucuruí e 1.275 MW de Serra da Mesa, inaugurada três anos antes, em abril de 1998. Em 2012, pouco mais de uma década depois, a capacidade do SIN havia superado os 100 mil MW e o Tocantins contribuía com 12.826,45 MW, distribuídos por sete usinas, mais de 10% da capacidade total do país naquele momento. Às duas já existentes somaram-se, na ordem rio abaixo partindo de Serra da Mesa, Cana Brava (450 MW), São Salvador (243,2 MW), Peixe Angical (498,75 MW) Lajeado ou Luiz Eduardo Magalhães (902,5 MW) e Estreito (1.087 MW), última antes de Tucuruí. Além disso, Tucuruí inaugurou em 2008 uma ampliação para 8.370 MW que fez dela, naquele momento, a maior UHE 100% brasileira, superada na década seguinte pelos 11.233 MW de Belo Monte, no rio Xingu. Todo este aproveitamento não teria sido possível sem a previsibilidade das vazões trazidas pela construção do maior reservatório do Brasil, com capacidade para 54,4 bilhões de m3 de água na cabeceira do rio, Serra da Mesa. “A regularização das vazões ao longo do Tocantins viabilizou a construção de várias usinas a jusante, aproveitando-se o potencial da cascata para a produção de energia”, foi como uma equipe de especialistas da Eletrobras respondeu à pergunta feita pela Brasil Energia sobre a importância da UHE Serra da Mesa e de seu reservatório. Embora detenha somente 48,46% do capital da sociedade que controla a usina, contra 51,54% da CPFL, a Eletrobras responde por ela perante o poder concedente e é a encarregada de sua operação. O providencial aumento da geração hidrelétrica no Tocantins, após um longo período de baixos investimentos no setor que culminaram no apagão de 2001/2002, foi apenas um dos benefícios gerados pela construção de Serra da Mesa e de seu gigantesco reservatório, responsável por 17,24% de toda a capacidade de armazenamento do subsistema Sudeste/Centro- -Oeste (SE/CO) que, por sua vez, representa 70% do SIN. “Controle de cheias, promoção do turismo e lazer, desenvolvimento da aquicultura Ecopraia da Tartaruga, em Peixe: desenvolvimento do turismo e lazer a partir da regularização do rio Tocantins é um dos benefícios para a população regional
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