e-revista Brasil Energia 490

Brasil Energia, nº 490, 28 de janeiro de 2025 35 mendação é feita para a operação de Lajeado, a hidrelétrica seguinte a Peixe Angical que, embora seja a fio d’água, possui um pequeno reservatório. A resolução da ANA estabelece ainda que, caso não seja possível minimizar os efeitos das vazões incrementais entre os reservatórios, o ONS deverá alertar imediatamente o órgão responsável pelo turismo no estado do Tocantins e a própria agência. Até o dia 10 de maio de cada ano o ONS está incumbido de informar à agência, ao órgão turístico de Tocantins e aos agentes responsáveis pela geração na cascata do rio qual será a vazão a ser praticada em Serra da Mesa durante o período de praia seguinte. Das sete usinas do Tocantins, quatro são a fio d’água (Cana Brava, São Salvador, Lajeado e Estreito). Também são estabelecidas condições especiais para o período de praias na resolução, no trecho após a UHE Estreito, em Tocantins e no Maranhão, que vai de 1º de julho até o segundo domingo de setembro. Interligação Nacional Do ponto de vista estritamente energético, os técnicos da Eletrobras destacam que foi a construção de Serra da Mesa que permitiu a concretização do SIN, com a construção da primeira interligação de 500 kV entre o Sudeste/Centro-Oeste (SE/CO) e o Norte do país. Dado seu gigantismo e a um longo período de afluências baixas durante a década passada e início desta, o reservatório Serra da Mesa não tem sido fácil de encher, nunca tendo vertido nos seus mais de 26 anos de operações. Segundo o histórico do ONS, em março de 1999, pouco depois da partida, o volume útil do lago chegou a 58,20%. Um novo pico foi registrado em abril de 2010, com 71,25% de armazenamento. Um terceiro pico, com 78,12% foi alcançado em março de 2012, iniciando-se a partir dali a longa curva descendente que culminou com escassos 5,93% em novembro de 2017. A lenta recuperação que se seguiu só ganhou impulso a partir da Resolução ANA 111, de novembro de 2021, voltada para a recuperação dos reservatórios após a crise hídrica daquele ano. Foi fixada em 100 m3/s a vazão defluente máxima de Serra da Mesa que vigorou até o final de abril de 2022 e retomada no período úmido 2022/2023. Como resultado, no dia 31 de maio de 2023 Serra da Mesa alcançou o volume recorde de 84,17% e manteve desde então armazenamento elevado, acima dos 50%. Atualmente o reservatório encontra-se em recuperação pós-período seco de 2024, tendo fechado o dia 08/01 com 56,58% de volume útil. A manutenção de um volume elevado, com folga para absorver possíveis pressões de afluência, permite ao reservatório desempenhar com mais eficiência seu papel primordial de regulador de vazões. Os técnicos da Eletrobras avaliam que esse papel permite que Serra da Mesa facilite “a operação coordenada entre múltiplas usinas ao longo do rio, promovendo o planejamento integrado que otimiza o potencial de geração de energia de toda a bacia hidrográfica”. Eles projetam o futuro da usina alinhado “às necessidades de segurança energética, sustentabilidade ambiental e desenvolvimento econômico, aproveitando os múltiplos usos de sua água para equilibrar crescimento e conservação”. n

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