44 Brasil Energia, nº 490, 28 de janeiro de 2025 José Almeida dos Santos, geólogo-UFRJ, é consultor na área de energia. Escreve na Brasil Energia a cada dois meses. José Almeida dos Santos Coautores: Normando Lins e Gerson Menezes Desde que Candeias, na Bacia do Recôncavo, se tornou o primeiro campo de petróleo descoberto no Brasil, em 1941, mais de 25.000 poços foram perfurados no país, a maioria pela Petrobras, dos quais, mais de 6.000 ainda estão ativos. Praticamente todos os campos descobertos estão na fase final de produção e, com isso, vários processos de recuperação têm sido empregados para manter os níveis de produção e reserva. No mundo, entre diversas alternativas vêm se destacando a utilização da nano tecnologia, por se tratar de ser mais econômica e com resultados mais rápidos. Se consideramos que a tecnologia de nanopartículas (Nano) pode aumentar o Fator de Recuperação do oil in place para algo em torno de 50%, poderíamos agregar uma reserva adicional de até 20 bilhões de barris, maior portanto do que as reservas atuais. A tecnologia de nanopartículas está sendo estudada e avaliada há mais de 20 anos e já está em uso em vários segmentos da indústria de petróleo. A partir dos anos de 2000 começou uma corrida aos estudos teóricos e práticos e na geração de publicações técnicas oriundas de trabalhos feitos por universidades, institutos de pesquisas e empresas de petróleo e de química. Num primeiro momento todos os estudos foram voltados para E&P, com orientação para gerar mais ganhos nos tempos de perfuração, cimentação de revestimentos em geral e tampões de cimento, para evitar duplicidade de serviços. O foco em geral era a área de EOR, com o objetivo de recuperar mais óleo in place já descoberto, que no mundo ultrapassa 5 trilhões de barris de óleo e mais de 400 trilhões de m3 de gás, incluído o shale gas. O possível volume adicional de óleo e gás que pode ser recuperado com uso da nano justifica todo esforço que vem sendo feito pela indústria, visto que são reservas adicionais com custo muito baixo de extração. As nanopartículas, quando aplicadas para aumentar o Fator de Recuperação, podem atuar em várias etapas do processo de produção, como alterar a aderência do petróleo às rochas, reduzir a tensão interfacial, aumentar a estabilidade e reduzir a viscosidade do óleo. A aplicação de nano de forma rotineira deverá trazer um ganho muito substancial nos volumes de óleo e gás adicionais às reservas mundiais já calculadas a custos bem reduzidos, visto que toda estrutura já existe e todos os poços também. Com certeza será o óleo mais barato a ser adicionado às reservas atuas. No mundo, já está ocorrendo uma intensa utilização da nano tecnologia na produção de gás e óleo dos reservatórios não convencionais, principalmente nos Estados Unidos e China, como nos seguintes exemplos: Oriente Médio - Aplicação de nanopartículas de sílica em vários campos de petróleo, em fase de declínio muito elevado, tem alcançado, em vários casos, recuperação media adicional de 15%. América do Norte - O Canadá tem a maior reserva de óleo pesado do mundo e há vários anos vem produzindo esse petróleo via poços fraturados de longo alcance, com grande utilização de nano tecnologia, levando o país a se tornar o sexto maior produtor de óleo do mundo. Além do Canadá, os Estados Unidos são um grande usuário na produção de shale gas e tight oil, com resultados muito animadores. Potencial das nanopartículas na recuperação de campos maduros Continue lendo esse artigo em: petroleoegas/potencial-das-nanoparticulas-narecuperacao-de-campos-maduros
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