70 Brasil Energia, nº 490, 28 de janeiro de 2025 AÇÕES EM TRANSIÇÃO ENERGÉTICA E na estratégia com fontes renováveis, Cirilo cita dois investimentos: um parque eólico de 220 MW no Nordeste, em parceria com a Auren, no qual 25% da energia gerada é direcionada para suprir a empresa, iniciativa que elevou para 49% a participação de energia elétrica de fontes renováveis nas operações no Brasil. E um acordo com a Atlas Energia para a construção de um parque solar em Paracatu (MG) com previsão para operar em janeiro de 2026. Segundo Cirilo, a iniciativa ampliará para 75% a energia renovável autoproduzida, atendendo as unidades das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Paralelamente, a companhia tem se dedicado a desenvolver processos inovadores com materiais e captura e uso de carbono (CCUS), com vistas a atingir a condição de produzir matéria prima para o concreto carbono zero até 2050. A meta de descarbonização da Votorantim Cimentos, alinhada ao Science Based Target Initiative (SBTi), é reduzir as emissões para 475 quilos de CO2 por tonelada de cimento até 2030. Em 2023, a empresa obteve um resultado global de emissões de 556 kg de CO2 por tonelada de cimento produzido, 4% menos do que em 2022. InterCement Na busca pela redução de suas emissões de CO2, a InterCement Brasil tem lançado mão de uma estratégia diversificada que compreende principalmente a adoção do coprocessamento e de adições no processo de clinquerização. Entre 2014 e 2023, a companhia investiu R$ 110 milhões em equipamentos e estruturas de coprocessamento e um novo filtro na fábrica de Bodoquena (MS). Cristiano Ferreira, gerente de Coprocessamento Senior da InterCement, explica que a empresa vem mudando a sua matriz energética com coprocessamento de resíduos industriais e urbanos, biomassa e pneus, em substituição ao coque de petróleo e ao carvão mineral. Em outra frente, a InterCement aposta na redução da utilização de clínquer para produzir cimento, adicionando materiais sustentáveis, como pozolanas e escórias. Quanto menor o uso de calcário, que é a base do clínquer, menor a emissão de CO2. Outra iniciativa tem sido ampliar a eficiência energética de todas as unidades, por meio da troca de equipamentos por modelos que permitam melhor performance, otimização de processos e uso de matérias-primas. A companhia também tem investido em novas tecnologias, como fornos com menor consumo de energia elétrica e calor. A InterCement optou por usar energia renovável através de participação em PCHs. Recorrendo aos números, Ferreira destaca que entre 2014 e 2023 a companhia evoluiu de 17,5% para 28% seu nível de substituição térmica e estima que o coprocessamento tem reduzido a emissão de 300 mil toneladas de GEE por ano, ou quase mil toneladas por dia.
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