e-revista Brasil Energia 490

PALAVRA DO PATROCINADOR Por outro lado, ao considerar a participação no LRCAP 2025 de usinas termelétricas existentes, têm-se a expectativa de menores custos de investimentos com o retrofit, quando comparado com a construção de novas usinas. Os prazos para implantação são menores e o sistema de transmissão existente pode ser utilizado reduzindo os custos da tarifa de transmissão. A melhor forma de introduzir novas tecnologias na matriz elétrica é a proposta pelo MME através de leilões, para que o mercado se pronuncie quanto à viabilidade técnica, qualidade, prazos e preços. A adoção de biocombustíveis nas usinas novas e existentes pode ser considerada um avanço na linha da transição energética. Resta aguardar se haverá disponibilidade suficiente e logística adequada para atender às usinas termelétricas que farão a opção de promover a troca de combustível, uma vez que a opção de gás natural para essas usinas, pode se tornar inviável atualmente, devido aos custos de transporte. Uma alternativa que poderia ter sido considerada seria estabelecer um prazo de transição para a mudança de combustível (óleo ou carvão), pois a opção de biocombustíveis ainda não está suficiente madura em relação à oferta, à qualidade do produto e, principalmente, ao tempo de estocagem no caso de biodiesel. A prudência, em nome da segurança elétrica, deveria ter prevalecido no processo decisório, já que as instalações existentes disponíveis para o Sistema atendem aos requisitos de flexibilidade operativa com partida rápida, garantia de disponibilidade e logística para suprimento de combustível. Merece destaque no LRCAP 2025, a possibilidade de utilizar o etanol nas usinas existentes e novas. Tal opção cria mais uma oportunidade para o País na estratégia de transição energética com um produto de tecnologia nacional, gerando emprego e renda local e com a perspectiva de exportação com um custo muito competitivo. Será uma oportunidade para o desenvolvimento de máquinas de maiores potências, uma vez que haverá demanda suficiente para o desenvolvimento de novos produtos. A utilização da expansão das usinas hidráulicas também foi uma excelente decisão. Porém, existe espaço para inovações, como o incentivo a usinas hidráulicas reversíveis pelo benefício que esses empreendimentos proporcionam na redução de preços devido ao armazenamento de água em período hidrológico favorável. O ONS dispõe de informações suficientes do Sistema Elétrico para identificar os pontos que apresentam maiores fragilidades operacionais. A fonte térmica é a única que, mediante a uma definição de necessidade em uma macrolocalização, poderá ser instalada mais próxima da carga, proporcionando uma maior segurança elétrica e menores custos de transmissão e de perdas elétricas. Na forma adotada atualmente, os leilões não levam em conta essas especificidades, sob a alegação que um leilão nacional em um país continental como o Brasil, deve buscar, principalmente, o menor preço. Salienta-se que, assim como a EPE desenvolveu estudos sobre as opções de usinas térmicas flexíveis versus inflexíveis, seria oportuno verificar qual o ganho que representaria para o Sistema Elétrico, a adoção de leilões regionais levando em conta as fragilidades sistêmicas, os custos da segurança elétrica e os riscos que o Sistema de Transmissão está sujeito com a ocorrência de apagões por vandalismo, queimadas e descargas atmosféricas. O LRCAP 2025 é um passo inicial importante na contratação de potência, devendo ser avaliado em função dos resultados alcançados, para que sejam promovidas as melhorias necessárias, com vistas a atender as necessidades do Sistema, atração de investidores e menores custos para o consumidor. *Reive Barros é Consultor da Fictor Energia. Artigo por Reive Barros* A importância do Leilão de Reserva de Capacidade de Potência – LRCAP 2025

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