e-revista Brasil Energia 490

78 Brasil Energia, nº 490, 28 de janeiro de 2025 AÇÕES EM TRANSIÇÃO ENERGÉTICA de, privatizada. Em consequência, os trabalhos foram interrompidos por falta de recursos. Rubem Cesar tem a expectativa de que as pesquisas sejam retomadas em 2025 envolvendo novas cultivares de mandioca brava desenvolvidas pela Embrapa. Mandioca, peixe e lixões O cardápio energético da mandioca da Amazônia não se restringe ao etanol. De acordo com um mapeamento realizado pelo Instituto Escolhas, organização civil que desenvolve estudos e análises econômicas para viabilizar projetos de desenvolvimento sustentável, os resíduos da produção de farinha de mandioca, juntamente com os resíduos da piscicultura e o lixo urbano, são excelentes matérias-primas para a produção de biogás. Segundo o estudo “Biogás: energia limpa para a Amazônia”, com o aproveitamento de resíduos da produção de farinha mandioca e da piscicultura, além dos resíduos urbanos, é possível obter 537 milhões de m3 de biogás por ano, o suficiente para a geração de 1,1 TWh de eletricidade. Essa energia é suficiente para atender 556 mil residências, ou 2,2 milhões de pessoas. A maior parte desse potencial (98%) vem dos chamados lixões urbanos. O estudo mostra que somente 6% dos resíduos urbanos na Amazônia são aproveitados para a geração de energia, nos aterros sanitários de Manaus (AM) e Rosário (MA). O aproveitamento dos resíduos urbanos para a produção de energia oferece também uma solução adequada para os 243 lixões a céu aberto e os 51 aterros controlados que existem na região. Para a produção de farinha de mandioca e para a piscicultura, o biogás representa ao mesmo tempo segurança energética e possibilidade de redução de custos. Nos estados da Amazônia, são produzidas anualmente mais de 500 mil toneladas de farinha de mandioca e 160 mil toneladas de peixes. O estudo aponta que os resíduos das casas de farinha permitiriam uma produção de 6 GWh de energia elétrica. Os frigoríficos de abate de peixes, por sua vez, poderiam gerar outros 13 GWh de energia elétrica por ano. Para Larissa Rodrigues, gerente de Projetos do Escolhas, os resultados reforçam a necessidade de criação de um programa que estimule a geração de energia elétrica a partir do biogás produzido a partir das duas atividades econômicas e dos lixões urbanos das cidades da Amazônia. Além dos benefícios ambientais resultantes, a iniciativa contribuiria para o desenvolvimenALEKSANDRO SIQUEIRA, diretor de Novos Negócios da GTFoods: o biometano tem se revelado um insumo confiável e eficiente

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