e-revista Brasil Energia 490

Brasil Energia, nº 490, 28 de janeiro de 2025 79 to econômico sustentável, com a geração de emprego. Biometano da fécula O Paraná, por sua vez, é o principal estado produtor de fécula de mandioca do país, respondendo por cerca de 70% da produção nacional. Dada a grande concentração de fecularias no estado, o Centro de Tecnologia e Urbanismo (CTU) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) vem desenvolvendo desde os anos 80 uma linha de pesquisas tendo a mandioca como base para a geração de energia. O aproveitamento da água residual do processo de fabricação da fécula da mandioca para a geração de biometano é uma das principais linhas da pesquisa. O processo de fabricação da fécula exige muita água. O processamento de 1 tonelada de mandioca gera de 5 a 7 metros cúbicos de resíduos. O potencial desse resíduo é enorme, ensinam Deize Dias Lopes e Cristiane Lurdes Andreani, respectivamente coordenador e pesquisadora do CTU. A concentração de matéria orgânica na água residual das fecularias é 34 vezes superior à do esgoto sanitário. Estudos realizados pelo CTU mostraram que, considerando a produção paranaense de fécula em 2020, de 300 mil toneladas, foram produzidos efluentes líquidos que, uma vez convertidos em biometano, poderiam gerar até 15 GWh ao ano de energia. Mas, até o momento, o biometano obtido da água residual tem sido destinado à produção de energia térmica pelas fecularias. Entre as conquistas obtidas a partir das pesquisas que estão sendo incorporadas pelas fecularias está a cobertura das lagoas anaeróbias das fecularias. Com isso, é possível obter o biometano e utilizá-lo no processo de secagem da fécula, substituindo o óleo diesel e a lenha. Além disso, a cobertura das lagoas anaeróbias evita que o metano vá para a atmosfera. A GTFoods, um conglomerado da indústria alimentar, adota o método de biodigestão em três unidades dedicadas à produção de fécula de mandioca. Instaladas em Paranavaí e Cianorte, no Paraná, e em Mundo Novo, no Mato Grosso do Sul, essas unidades processam 25 mil toneladas de mandioca por mês. As unidades contam com lagoas anaeróbias cobertas por lonas, onde a água residual do processo de fabricação da fécula é depositada. O biometano gerado é encaminhado para as caldeiras, utilizadas na secagem da fécula. De acordo com o diretor de Novos Negócios da companhia, Aleksandro Siqueira, o biometano tem se revelado um insumo confiável e eficiente. Nas unidades da empresa, substitui o óleo diesel e a lenha no processo de secagem, com ganhos ambientais e em eficiência energética, além de proporcionar redução de custos. Um dos principais benefícios desse processo é a oferta ininterrupta do biometano, mantendo a caldeira em funcionamento full time, o que reduz custos operacionais, aponta Siqueira. Ele acrescenta que o uso do biometano vem assegurando competitividade à companhia neste segmento.

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