e-revista Brasil Energia 490

8 Brasil Energia, nº 490, 28 de janeiro de 2025 entrevista Jerson Kelman para um suprimento estável constituída pelo consórcio de vários geradores das diversas fontes associados. “Nenhuma fonte geradora reúne todos os atributos necessários a um suprimento estável” disse. “A hidrelétrica é a que mais atributos reúne, mas ainda assim pode parar por falta d’água”, reconheceu. A Unidade Geradora Ideal seria, portanto, uma usina hipotética, definida em lei a partir de uma proposta da Aneel, um espelho para que qualquer gerador possa garantir suprimento estável ao oferecer energia para a população. E como nenhuma fonte é capaz de oferecer todos esses atributos, os agentes geradores - eólicos, solares, hidrelétricos e térmicos das diversas fontes – seriam levados a se associar livremente, como movimento de mercado, para se complementar entre si e garantir o suprimento. “Uma coisa é o lastro, que garante a infraestrutura operacional do sistema e precisa ser remunerado por todos os consumidores, do ambiente cativo e livre. A outra é a energia com que cada gerador é remunerado conforme sua produção média, ao longo dos 365 dias do ano”. E como essa Unidade Geradora Ideal sairia do papel? Nesta entrevista concedida à jornalista Liana Verdini, Kelman explica melhor o conceito e ressalta os diversos benefícios para a sociedade do uso múltiplo das águas, um bem que a cada dia se torna mais precioso, em consequência das mudanças climáticas. O Brasil sempre foi conhecido por seu imenso manancial hídrico. Mas com as mudanças climáticas, o senhor acha que o Brasil corre algum risco mantendo sua matriz energética majoritariamente hidrelétrica, que hoje está em 52%? Não. As usinas hidrelétricas possuem uma série de atributos que muitas outras fontes de energia não têm. E essas outras fontes de energia, nomeadamente eólica e solar, não são despacháveis e nem têm a inércia e a flexibilidade que as usinas hidrelétricas têm. Essas novas fontes seriam inviáveis participando da matriz elétrica brasileira na proporção que já participam se no passado não tivéssemos construído as hidrelétricas. Então as hidrelétricas eram importantes no passado e são mais ainda importantes no presente. Mas a inconstância das chuvas nos mananciais e as crises hídricas não deixam o sistema elétrico do país vulnerável? Eu penso que as hidrelétricas têm, de fato, um calcanhar de Aquiles, que são as eventuais crises hídricas. Em casos de falta da água, temos que recorrer a outras fontes energéticas. No passado, essas outras fontes eram as termelétricas. Hoje tem um mix: termelétricas e as novas fontes renováveis, que são as solares, eólicas e as baseadas em biomassa. De fato a participação das hidrelétricas está diminuindo, mas creio que a necessidade dos serviços que as hidrelétricas prestam fará com que daqui a algum tempo se volte a construir novas hidrelétricas. Já faz um tempo que o país não tem projetos para hidrelétrica de maior porte... Em um artigo que escrevi recentemente, chamei a atenção para o fato de as fontes energéticas terem características distintas. E é um equívoco nivelar todas

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