e-revista Brasil Energia 490

Brasil Energia, nº 490, 28 de janeiro de 2025 9 elas usando uma única métrica, de real por MWh, isto é, pelo custo de produção da energia. Essa é a métrica do passado. Aliás, é a única métrica relevante do passado porque as hidrelétricas prestavam vários outros serviços que não eram nem sequer notados. Agora, quando o sistema começa a ter dificuldades por falta de inércia ou falta de flexibilidade, esses outros atributos se tornaram relevantes. E aí há dois caminhos possíveis para corrigir o erro histórico de ter essa única métrica: ou você desenvolve novas métricas e reconhece que os atributos da hidrelétrica não são só energia barata, mas também a capacidade de despachar a usina na hora que se quiser, a possibilidade de a usina sair do zero a 100% da potência em alguns segundos, a capacidade de a usina ter inércia, que é fundamental para manter a frequência e a tensão do sistema. Essas coisas todas ninguém notava. Elas existiam, mas não eram reconhecidas. Então uma maneira de fazer é agora começar a descrever a fonte geradora não por um escalar, não por uma única medida, não pela quantidade que produz, mas também por todos os outros atributos da geração. Essa é uma maneira. A outra maneira seria a agência reguladora, a Aneel, descrever uma unidade de geração como uma entidade que tem todas as propriedades necessárias, algumas até que nem uma hidrelétrica tem, como a capacidade de gerar energia tenha ou não tenha água. Então, por meio de uma proposta de lei, se aprovada, a Aneel poderia na regulamentação conceber uma unidade geradora ideal, que tenha todos os atributos possíveis. E deixar que o mercado, isto é, os agentes geradores, decidam como comercialmente se associar, como se complementar. Por exemplo, uma usina solar, que não é despachável nem tem inércia, procura uma usina hidrelétrica ou uma termelétrica para se associar. Desse modo, os próprios agentes do setor formariam conglomerados para se apresentarem ao sistema elétrico como uma Unidade Geradora Ideal, esse descritivo legal que vem com todos os atributos descritos. Eu penso que essa segunda alternativa é muito interessante. O senhor acha que a gente está caminhando para isso? Quer dizer, o governo já começa a se preocupar com essa intermitência do sistema? Porque a gente tem 52% de hidrelétrica, que é despachável a qualquer momento, mas tem a eólica e a solar que são intermitentes. Acabou o sol, acabou o suprimento das solares. Acabou o vento, não tem mais carga. Eu não sei se o governo está preocupado com isso. Mas certamente a Aneel, o ONS, a EPE estão. E acredito que como no governo tem técnicos muito capazes, acredito que também o Ministério esteja preocupado sim. Temos uma matriz renovável bastante considerável, com uma intermitência natural devido às novas fontes geradoras. Agora com as mudanças climáticas também atingindo as hidrelétricas, qual deveria ser o papel dos órgãos formuladores da política do setor elétrico? No passado, a escolha do mix energético foi sempre pautada pelo plane-

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