e-revista Brasil Energia 491

46 Brasil Energia, nº 491, 25 de fevereiro de 2025 Paula Kovarsky é engenheira mecânica e de produção, com MBA em finanças corporativas. Escreve na Brasil Energia a cada três meses. Paula Kovarsky Escrevo esse artigo em momento peculiar - acabo de assistir a cerimônia de posse de Donald Trump, com direito a frases como “drill baby drill”, ou “liquid gold”, referindo-se ao petróleo e ao objetivo de aumentar ainda mais a produção de óleo e gás nos Estados Unidos, e confirmando as expectativas de que seu governo abandonaria o Acordo de Paris. As falas do presidente da maior economia do mundo são, sem dúvida, desanimadoras. Ainda que o protocolo de Kioto tenha sido assinado há quase 30 anos e que o Acordo de Paris esteja prestes a completar 10, a última COP trouxe finalmente avanços relevantes em relação ao Artigo 6o do Acordo de Paris, que trata justamente da criação de um mercado global de créditos de carbono e da possibilidade de cooperação entre países e/ou entes privados nesse tema. Não por acaso, a COP de Baku foi definida como a COP das finanças ou do foco nos mecanismos de financiamento da agenda climática. Foram definidas finalmente as diretrizes para estabelecer os critérios/requisitos de remoção e redução das emissões, definição das atividades que poderão se enquadrar como emissoras de créditos, a partir de um conjunto de critérios que deverão ser formalmente adotados pelos países signatários do Acordo de Paris. Foram também desenhados mecanismos de contabilização ou compensação entre países e o impacto nas respectivas NDCs (metas de redução de emissões). Ainda existem grandes desafios de implementação, mas o avanço foi grande, já que a definição de mecanismos de reconhecimento e troca de créditos de carbono são essenciais ao financiamento dessa agenda e a transferência de recursos dos países mais ricos aos menos favorecidos ou mais bem posicionados para promover a descarbonização de forma eficiente, tema que já discuti nessa coluna em outras oportunidades. Mas de que vale esse avanço sem metas concretas? 2025 foi definido como o ano em que todos os países signatários do acordo teriam realinhado suas metas de redução de emissões até 2035 e logo agora os Estados Unidos desembarcam do acordo. Pior, uma série de bancos, fundos de investimento e até seguradoras seguem o (mau) exemplo e desembarcam da Financial Alliance for Net Zero, a maior coalizão global do mercado financeiro para o clima lançada em 2021. Será que esse é o começo do fim da agenda climática? Pior, justo na nossa vez de sediar uma COP e principalmente liderar genuinamente essa agenda com grandes benefícios econômicos para o país? Quem sabe nem tudo está perdido? Vamos ao “teorema das invejas positivas”. Inventei essa denominação em alguma das muitas transformações ou processos de mudança dos quais participei ou liderei na minha vida profissional. O princípio em si é bem simples. Quando se quer criar algo realmente diferente é muito difícil convencer as pessoas a embarcarem de vez. Algumas simplesmente não entendem, outras acham muito arriscado. Muitas sentem desconforto com mudança ou ficam paralisadas pelo medo do desconhecido - “time que está ganhando não se mexe”. Tem a turma que prefere esperar para ver se vai dar certo. Tem quem simplesmente torce contra por esporte. E tem quem não necessariamente discorda contanto que não atrapalhe seus próprios interesses. Continue lendo esse artigo em: energia/nova-era-trump-e-o-teorema-dasinvejas-positivas Nova era Trump e o Teorema das Invejas Positivas

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