e-revista Brasil Energia 492

Brasil Energia, nº 492, 28 de março de 2025 11 similar, a produção (do biometano) pode estar na costa, ao lado de uma rede de gasoduto, e pode-se vender a molécula do biometano para a distribuidora e sobrar o atributo para venda a terceiros. Uma crítica que tem sido feita ao CGOB é que ele não é aceito para ser abatido das metas de redução de emissões do GHG Protocol (padrão internacional para contabilização de emissões de gases de efeito estufa), pelas empresas que adquirem os certificados. Como avalia essa questão? Tem um trabalho muito grande hoje sendo feito pela World Biogas Association e várias outras associações no mundo para que a coordenação do GHG revise isso e passe a aceitar os certificados, como foi feito no caso do I-REC (certificado de rastreabilidade de energia renovável), que aliás tem o mesmo princípio do Gas-REC. A expectativa é que isso ocorra daqui a um ou dois anos. Mas, por enquanto, isso de fato é uma das coisas que prejudica a liquidez do certificado, porque quem vai comprar pensa: “vou comprar (o CGOB) mas não vou poder abater do meu inventário do escopo 1 porque o GHG não reconhece?”. E o GHG é o padrão global dos inventários do mundo. Mas é uma questão de tempo para isso mudar, até porque o CGOB ajuda na credibilidade (do inventário), no momento que tem uma legislação que reconhece isso no mercado regulado, pelo governo federal. A MDC prevê novas operações para atender o cenário de expansão do mercado? Estamos desenvolvendo três projetos com o grupo Lara, um player de aterros relevante no setor. Um em São Paulo (aterro Mauá), outro no Espírito Santo (Vila Velha) e um terceiro menor em Minas Gerais (Pouso Alegre). Declaramos o FID (decisão final de investimento, em português) deles no final do ano passado e agora começa a fase de compras de equipamentos, análise de contratação e detalhamento de engenharia. A ideia é que pelo menos duas delas, em São Paulo e Espírito Santo, que juntas produzirão algo em torno de 100 mil m3/dia de biometano, entrem em operação no final de 2026. Já a de Pouso Alegre talvez demore um pouco mais porque ainda está passando por um teste de captação para saber o volume de biogás disponível. Esperamos que os CGOB possam ser aceitos para compensações no GHG Protocol dentro de um a dois anos

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