36 Brasil Energia, nº 493, 28 de abril de 2025 comercialização res que participaram da pesquisa as facilidades do modelo incluem a previsibilidade e a facilidade de planejamento. Um pouco parecido seria a tarifa pré-paga, que também envolveria controle financeiro e planejamento. Por outro lado, existem temores entre consumidores mais velhos, em função da dificuldade de usar aplicativos de recarga e pelo medo de ficar sem energia em momentos críticos. Ricardo Brandão, diretor de Regulação da Abradee, também entrevistado pela Brasil Energia, lembra que essa opção já foi proposta – e rechaçada no passado. Segundo ele, a orientação contra a aplicação do modelo veio de órgãos de defesa do consumidor. Outro modelo avaliado é a tarifação horária, já comum no mercado livre e no grupo de média e alta tensão ainda cativo. Ela é vista como mais justa entre os consumidores residenciais, mas a dificuldade é que esses clientes têm menos flexibilidade para concentrar as atividades essenciais nos horários de menor tarifa. Consumo consciente de energia O mesmo ocorre com os usuários rurais. As empresas, por sua vez, podem ter custos adicionais como encargos trabalhistas se adotarem horários de menor tarifa, mas fora do cronograma tipo 8h à 18h. A tarifa dinâmica, que permite ajustes ao longo do ano em função da variação da chuva e nível dos reservatórios, tem a vantagem de ser mais barata em meses chuvosos. O lado negativo é que ela mantém a confusão atual existente na tarifa monômia. Ângela, da PSR, destaca que esses resultados antecipam a importância da comunicação entre a concessionária e seus clientes. Para ela, o processo avançou pouco e inclui uma digitalização da fatura e canais digitais que podem dar uma estimativa, em caso de interrupção da rede, do retorno do serviço. O desafio da comunicação envolve os próprios sandboxes em andamento. No caso brasileiro, a adesão é opt-in, ou seja, os consumidores previamente escolhidos precisam aceitar participar do projeto e serem tarifados diferentemente no período do teste. Para a consultora, o esforço de comunicação será chave no sucesso dos sandboxes, inclusive para incentivar o consumo consciente. Brandão, da Abradee, destaca que esse é um dos aspectos mais interessantes das iniciativas, ao identificar o nível de engajamento dos consumidores diante de incentivos, que são novidade na tarifação. É o caso da tarifa por desconto no horário de ponta, que foi bem recebido entre os entrevistados, com destaque para o caráter voluntário e o benefício financeiro. Entre as empresas entrevistadas, houve a sugestão de incluir subsídios para equipamentos mais eficientes como um desconto adicional. A pesquisa confirmou que o consumidor pessoa jurídica já tem o comportamento menos passivo em relação ao residencial e rural, os outros dois grupos avaliados. O impacto financeiro é que determina a maior curiosidade das empresas, segundo a pesquisa. Como destacou Ângela, aspectos da fatura atual são o ponto de partida para mudanças imediatas. Um exemplo é a bagunça sobre os componentes da conta. Em geral, eles são desconhecidos e há uma confusão entre taxa, tarifa e consumo real
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