e-revista Brasil Energia 493

Brasil Energia, nº 493, 28 de abril de 2025 13 Especialistas de transmissoras e fornecedores de soluções esperam que o leilão de reserva de capacidade exclusivo para sistemas de armazenamento baseado em baterias (BESS) seja de pelo menos 1 GW. Essa capacidade seria um divisor de águas e evitaria a percepção de que o MME estaria realizando um “projeto de P&D”. Em conversa com a Brasil Energia, Johab Santana, gerente de expansão e engenharia da Energisa, lembrou que a regulação – ainda não definida – será o coringa do processo. As normas do MME é que vão pautar a distribuição geográfica dos sistemas em todo o país e a tarifação dos empreendimentos. Para Santana, no entanto, é o interesse do ONS que deve prevalecer. Com o BESS, o operador do sistema elétrico ganha flexibilidade de despacho e poderá focar nos pontos vulneráveis do grid. Se o principal foco for minimizar o curtailment, a opção de regulação seria para um modelo que favoreça as geradoras. Se a carga for prevalente como critério, o BESS deve ser ativado em regiões de maior demanda como São Paulo e Rio de Janeiro. “Pode ser ainda uma solução intermediária com um agente armazenador, que faça o carregamento e descarregamento da bateria de acordo com a determinação do ONS”, argumenta Santana. Para o especialista, a diversificação de players é uma solução interessante para que o novo mercado não fique nas mãos de poucos grupos e possa atingir o objetivo de estabilizar o sistema elétrico e trazer o retorno esperado. “As transmissoras são um player sinérgico para o BESS, mas isso vai depender da regulação. O negócio das transmissoras é oferecer disponibilidade, com uma receita associada a esse serviço”, reforça. “Entendo que também faz sentido para as geradoras, em função dos cortes atuais. Segundo ele, a adoção do agente armazenador, já citado, tem casos reais de aplicação fora do Brasil, em países como Austrália, Reino Unido e Chile, e poderia ser aproveitada. “Não há uma única resposta, mas no final do dia é o ONS que entende as dores do sistema. A decisão deve ser baseada em fatos, em estudos do que seria melhor para o sistema”, completa. O executivo da Energisa lembra que a costura de parcerias entre possíveis operadores do BESS e fornecedores de tecnologia vem sendo feita, mesmo porque os menores projetos previstos envolvem cerca de 30 MW de capacidade, o que significa um investimento médio entre R$ 200 milhões e R$ 250 milhões. Assim como a possibilidade de escolha de um agente armazenador, Santana avalia que a tarifação também deveria ser inovada na prestação do novo serviço. O processo também deveria considerar a prestação de serviços adicionais, o que levaria a um provável empilhamento de receitas. O especialista lembra ainda que a Energisa não tem nenhum projeto atual de ativação de bateria em sua rede de transmissão. A empresa, no entanto, também estaria estudando as informações disponíveis do leilão para sistemas isolados, onde o BESS pode ser uma solução complementar ao fornecimento de outras fontes. n

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