Brasil Energia, nº 493, 28 de abril de 2025 21 Dependente em 99% de combustíveis fósseis – principalmente o bunker, utilizado em embarcações maiores, e o diesel marítimo, consumido em embarcações médias e pequenas –, o segmento de transporte marítimo é responsável por 3% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) no planeta. Além das emissões, os combustíveis fósseis provocam a acidificação da água dos oceanos e a degradação de ecossistemas marinhos, com acentuado impacto nas comunidades costeiras e na atividade da pesca. No Brasil, empresas como a Bunker One, Petrobras, Vibra e Svitzer, cujos cases são reportados nessa matéria, têm promovido ações e destinado investimentos em alternativas aos combustíveis padrões de origem mineral, envolvendo misturas de biocombustíveis ao bunker e ao óleo diesel marítimo, visando obter resultados na descarbonização do transporte marítimo, ou viabilizando o uso de metanol, seja ele de origem mineral ou de resíduos orgânicos. Alguns estudos constatam que o metanol pode praticamente eliminar a emissão de óxidos de enxofre (SOx), 60% de compostos nitrogenados (NOx) e particulados em comparação com os combustíveis marítimos padrões. Além disso, é facilmente biodegradável na água e requer poucos ajustes nas tecnologias de motores existentes quando usado como combustível. Mesmo o metanol originário de gás natural pode reduzir entre 10% a 15% as emissões de CO2 comparado ao bunker e ao diesel. A Bunker One, multinacional dinamarquesa que comercializa combustíveis marítimos e tem sede regional estabelecida no Brasil, conseguiu atestar a viabilidade de uma mistura de 7% do biodiesel, graças a pesquisas desenvolvidas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Filippe Fernandez, diretor comercial da companhia, explicou que o percentual foi definido com base nas especificações da International Organization for Standardization (ISO) para combustíveis marítimos na época em que a parceria com a universidade foi firmada, em 2021. Hoje, segundo a versão mais recente da ISO 8217, de 2024, as especificações atestam a possibilidade do uso de até 100% de biodiesel nas embarcações. Os testes realizados pela UFRN envolveram biodiesel de segunda geração, produzido a partir de resíduos como óleo de cozinha usado e gordura animal. Os estudos comprovaram um potencial de redução de 78% a 85% por grama de CO2eq em relação ao diesel, de acordo com a Bunker One. A redução se verifica tanto na combustão da mistura quanto na cadeia de produção do biodiesel, na qual ocorre de forma ainda mais expressiva. Além disso, os testes mostraram que a adição de 7% de biodiesel ao diesel marítimo não provocou perda de potência de operação ou afetou negativamente os motores das embarcações. A Bunker One encaminhou os estudos ao Ministério de Portos e Aeroportos e para a Antaq, a agência reguladora do transporte hidroviário, com o objetivo de contribuir no fomento ao uso de biocombustível pelo setor marítimo. Fernandez destacou que está em vigor na Europa, desde 1º de janeiro de
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