e-revista Brasil Energia 493

30 Brasil Energia, nº 493, 28 de abril de 2025 hidrelétricas tes, justamente para assegurar o máximo de acumulação possível para as pressões esperadas no período seco de maio a novembro, especialmente entre agosto e outubro. O engenheiro Lucas Freitas, da área de Planejamento Hidrelétrico da Cemig, concessionária das duas usinas, ressalta que, para além da geração imediata de energia, Emborcação e Nova Ponte são reservatórios de regularização plurianual, assim como, por exemplo, Furnas, no rio Grande, que, juntamente com o Paranaíba, forma o rio Paraná. Significa que os cuidados com seus estoques precisam ser maiores, olhando muito adiante do suprimento imediato de energia. Não significa que eles sejam secundários no esquema de geração do ONS, responsável pelo despacho das usinas do SIN. Na atual conjuntura, em que a chamada rampa solar, representada pela saída abrupta das usinas fotovoltaicas no final da tarde, interfere fortemente na operação, exigindo o despacho de usinas flexíveis, nas quais o requisito de potência é fundamental para manter a estabilidade do sistema, Freitas disse que o operador tem usado constantemente as duas usinas nessa condição de supridoras de ponta. Segundo o engenheiro da Cemig, que sempre ressalta estar reportando as ações comandadas pelo ONS, é a capacidade que as máquinas das duas usinas têm de serem extremamente rápidas, tanto nas rampas de elevação quanto nas de redução da carga, que lhes garante essa condição estratégica no planejamento do operador. Compensador Síncrono Além da capacidade, tipicamente hidrelétrica, de socorrer o sistema com potência imediata nas horas de maior necessidade, Freitas contou que as duas usinas ainda são frequentemente usadas pelo ONS na função de síncrono, ou compensador síncrono, um recurso essencial para dar estabilidade ao sistema. Tecnicamente complexa de explicar em um texto jornalístico, a função síncrona consiste em desconectar a unidade geradora da sua função original de gerar energia para que ela passe a funcionar como um motor que consome energia reativa e estabiliza a tensão, proporcionando melhoria geral do sistema elétrico como um todo. A função é contratada pelo operador com as usinas que têm esta capacidade. É, grosseiramente comparando, como se fosse uma unidade geradora com a função reversível, que tanto pode gerar energia quanto bombear água de baixo para cima para armazenar no reservatório superior de uma UHR. Só que neste caso ela está em contato com a água em ambas as versões, enquanto na função síncrona a máquina opera a seco. Emborcação e nova Ponte não foram as primeiras usinas da bacia do Paranaíba. A UHE Itumbiara (2.082 MW), imediatamente abaixo da primeira e também com um poderoso reservatório, entrou em operação em 1980 e São Simão (1.710 MW), última UHE da cascata do Paranaíba, é de 1978. Emborcação começou a operar em 1982 e Nova Ponte em 1994. Mas elas, com seus reservatórios de regularização, completaram o diagrama da bacia, seja do ponto de vista da geração de energia, seja no do controle de cheias. Nova Ponte nem fica na calha principal, mas no rio Araguari, afluente exclusivamente mineiro que desce da Serra da Canastra, mais co-

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