e-revista Brasil Energia 493

42 Brasil Energia, nº 493, 28 de abril de 2025 entrevista Xisto Vieira Filho miados universalmente. E os principais fabricantes de máquinas para as usinas térmicas já estão misturando gás e hidrogênio para diminuir o impacto sobre o meio ambiente. “A gente está convencido de que o sistema sem gerador com máquinas síncronas é inoperável”. Acompanhe os principais trechos dessa entrevista a seguir. A associação representa geradores de ativos de diferentes fontes, de gás natural a energia nuclear. Como é que o senhor vai congregar esses interesses nesse próximo mandato? Nossa concentração total agora está sendo no Leilão de Reserva de Capacidade por Potência, o chamado LRCap, que é diferente de um leilão de energia. Ele é voltado para a confiabilidade e agora também para a flexibilidade do sistema. Achamos que todas as fontes são importantes na matriz energética, sendo que cada tipo de fonte tem um atributo especial. O atributo da geração termelétrica é o aspecto da confiabilidade eletroenergética. Assim, nossa principal atuação neste ano está sendo a modernização do LRCap. Logo após vamos nos voltar para a geração térmica do futuro, já pensando na transição energética e na impossibilidade de um sistema elétrico de potência funcionar sem um respaldo bastante elevado de geração termelétrica e hidrelétrica. Falando do LRCap, houve um grande interesse por parte das empresas. Como está vendo a participação das usinas térmicas nesse leilão? O interesse foi geral, de geradores e até armazenadores que não são geradores. Com a fortíssima migração das demandas das distribuidoras para o mercado livre, o leilão de energia, que fornecia os contratos de longo prazo, foi completamente esvaziado. Sobrou o LRCap e saiu todo mundo correndo tentando entrar. Depois de muita discussão, o Ministério concluiu quais eram as fontes que poderiam entrar. Achamos que o Ministério tem 95% de razão e tem uns 5% que a gente discorda um pouco. Mas todos os geradores térmicos já entenderam claramente que o papel deles nessa matriz é confiabilidade. Portanto, este é um leilão para expansão com projetos de longo prazo. Há algum aspecto no formato do leilão que considera que poderia ser mais bem elaborado para atrair mais interessados? Sim. Temos um respeito técnico muito grande pelo Ministério. Mas tem um ponto, e eles sabem, que a gente tem uma opinião bastante diferente. O leilão separa energia nova de energia existente, e achamos isso inadequado. Eu tenho um edital e se a usina térmica atende ao edital, não interessa se ela é nova ou se ela é velha. Esse é o principal ponto. O segundo ponto que achamos não estar bem calibrado é o problema das penalizações. A Thymos, nossa consultora, fez um estudo analisando todos os leilões de capacidade no mundo e verificamos o nível de penalização para usinas térmicas. Mostramos que o Brasil é disparado o campeão mundial de penalidades. Levamos isso ao Ministério, eles já reduziram um pouco as penalizações e ficaram de estudar mais o assunto.

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