e-revista Brasil Energia 493

54 Brasil Energia, nº 493, 28 de abril de 2025 inovação ja que o E2G e considerado um combustivel mais limpo. Unicamp desenvolveu proteína a partir de fungo da Amazônia Em 2019, pesquisadores da Unicamp e do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) descobriram que um fungo encontrado na Amazônia, da espécie Trichoderma harzianum, produz uma enzima que poderia ser utilizada na produção do E2G. Batizada de β-glicosidase, a proteína atua na fase final da degradação da biomassa e produz glicose que é transformada, por meio da fermentação, em etanol. Utilizando análises da estrutura da enzima e técnicas de genômica e de biologia molecular, os pesquisadores modificaram a estrutura da molécula que permitiram solucionar alguns entraves e ampliar substancialmente a eficiência da β-glicosidase na degradação da biomassa. Os pesquisadores destacam que a proteína modificada se mostra mais eficiente que a enzima não modificada na suplementação de coquetéis enzimáticos utilizados na degradação de biomassa e produção de biocombustíveis de segunda geração. Apesar de benefícios, etanol de segunda geração patina O etanol de segunda geração se diferencia do etanol de primeira geração por oferecer um conjunto de benefícios extras, embora tenham a mesma composição final. Enquanto o etanol de primeira geração utiliza a cana de açúcar como matéria prima, o E2G pode aproveitar qualquer resíduo do plantio e produção, como a palha e o bagaço, no seu processo industrial. Essa diferença permite ao E2G aumentar em até 50% a produtividade sem demandar a ampliação da área de plantio. Devido a essa característica, a pegada de carbono do etanol de segunda geração é 30% inferior à do biocombustível de primeira geração e 80% menor que a de combustíveis fósseis, como a gasolina. Apesar desse diferencial, a produção do E2G vem enfrentando obstáculos para se expandir. A produção do biocombustível é mais cara do que a de etanol de primeira geração e muitas vezes não encontra no mercado condições para a remuneração desse custo mais elevado. Produzir o etanol de segunda geração demanda uma tecnologia mais complexa e estruturas para coleta e transporte de resíduos agrícolas e florestais que podem ser implicar desafios logísticos. Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE): proteína produzida a partir de fungo da Amazônia atua na fase final da degradação da biomassa para produção do etanol Foto: Gustavo Moreno

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