e-revista Brasil Energia 494

Brasil Energia, nº 494, 27 de maio de 2025 107 do total coletado. A capital paulista gera 12 mil t/dia de resíduos sólidos urbanos. O planejamento da cidade envolve ainda a possibilidade de mais duas usinas, de mesma capacidade, para 2035. Caso a experiência com as duas primeiras seja avaliada como positiva, os contratos preveem um “gatilho” para autorizar que as concessionárias instalem cada uma mais uma nova URE, elevando a capacidade de UREs na cidade para 120 MW, a partir de 4 mil t/dia de resíduos tratados. Além dos projetos paulistas, Brasília também tem dois projetos estruturados para sair do papel, classificados recentemente como prioritários pelo governador do Distrito Federal. O primeiro contemplará parceria público-privada (PPP) para construir central de triagem e três biodigestores para processar até 2.400 toneladas/dia e assim gerar biogás para eletricidade. O segundo é para uma URE de 50 MW, no aterro sanitário de Samambaia. Os investimentos totais são estimados em R$ 3,1 bilhões. Há ainda projetos de UREs, todos eles com licenças ambientais prévias e pareceres de acesso à rede básica, apenas esperando as condições políticas e regulatórias para saírem do papel. São os casos do projeto do consórcio intermunicipal Consimares, na região de Campinas, em SP, de 22,5 MW, a URE Caju, no Rio de Janeiro, também para 20 MW, e da URE Mauá, do grupo Lara, de 77 MW, em Mauá, na região metropolitana de São Paulo. Em São Paulo, ao todo há seis projetos de usinas de recuperação energética com licença ambiental de instalação emitidas pela Cetesb, que juntos somam 176,98 MW de potência instalada e capacidade para processar 6.908 toneladas por dia de resíduos sólidos urbanos. Além das usinas de Barueri, Mauá e do Consimares, há também projeto de URE de 50 MW para a Baixada Santista, no litoral sul paulista, cuja capacidade de recebimento de resíduos em aterros está esgotada. Completam a lista de projetos licenciados em São Paulo mais dois que pretendem utilizar a tecnologia de gaseificação de resíduos. Trata-se da URE Nova São João, em São João da Boa Vista, projetada para receber 150 t/dia e potência de 2,98 MW, e uma outra em Bragança Paulista, da Weber Consultoria e Engenharia, para tratar 180 t/dia de RSU e com 4,5 MW de potência. Além do ambiente regulatório, o presidente da Abren sugere que uma forma de acelerar a implantação das usinas é o desenho de leilões específicos de capacidade para contratar a fonte. Segundo ele, além de garantir a perenidade de investimentos, isso ajudaria o país no cumprimento das metas do Acordo de Paris, do Global Methane Pledge (acordo global para reduzir as emissões de metano em 30% até 2030) e do recente acordo firmado em Baku na COP29, que prevê o desvio de resíduos orgânicos de aterros sanitários para mitigar as emissões de metano. n Esta matéria é parte integrante da Série Especial “Termelétricas e Segurança Energética”, produzida pela Brasil Energia com o apoio de

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=