Brasil Energia, nº 494, 27 de maio de 2025 109 com investimentos superiores a US$ 700 milhões em valores da época. Para além de representar o primeiro passo da regularização da bacia do rio Paranaíba, formador do rio Paraná juntamente com o rio Grande, Itumbiara representava um marco histórico da consolidação da cadeia produtiva da indústria brasileira de construção de usinas hidrelétrica. Concretizava um processo que ganhou corpo no final década de 1950 com o início da construção da UHE Furnas, no rio Grande, como parte do esforço de industrialização do governo Juscelino Kubitschek (1956-1961). De acordo com o histórico da concessionária da usina, 97% das empresas que trabalharam na construção de Itumbiara eram brasileiras e “inéditos” 90% dos seus equipamentos mais importantes, como turbinas e geradores, foram fabricados no Brasil. “Desde a década de 1960 o Brasil domina a tecnologia de concreto armado, bem como a construção de grandes reservatórios de usinas hidrelétricas. E o maior exemplo disso é a própria construção da Usina de Furnas” destaca Francisco Arteiro, diretor de Operação e Manutenção da Eletrobras - Operação Sudeste, cofundador do ONS, onde trabalhou por 22 anos, do alto dos seus mais de 35 anos de experiência no setor elétrico. De lá para cá o domínio dessas tecnologias foi sendo aperfeiçoado e hoje elas são completamente dominadas no país, com marcos expressivos ao longo do tempo, como as UHEs Itaipu Binacional e Tucuruí, inauguradas em 1984, e, mais recentemente, as usinas estruturantes da Amazônia, Belo Monte, Jirau e Santo Antônio, todas inauguradas na década passada. “O fato de não haver hidrelétricas previstas para construção em curto prazo não desfaz esse conhecimento multidisciplinar, aplicável em outras obras de construção civil no país”, ressalva Arteiro. Um marco conquistado na construção das estruturantes foi que as cem turbinas bulbo, próprias para pequenas quedas, de Jirau e Santo Antônio, todas fabricadas no Brasil por várias empresas, são as maiores do tipo até hoje produzidas no mundo. As de Jirau têm 75 MW de capacidade cada e as 50 de Santo Antônio, 71,3 MW cada. Em Itumbiara, segundo levantamento feito por Arteiro, os grandes equipamentos foram fornecidos pela Voith (turbinas), GE (geradores), Westinghouse (equipamentos de proteção), Siemens (reguladores de velocidade) e Tusa (transformadores). A construção foi da Mendes Júnior, na época uma das maiores construtoras de obras pesadas do Brasil. Um triângulo de peso O Triângulo Mineiro, uma das regiões economicamente mais dinâmicas do Brasil, é o epicentro de outro triângulo, este de infraestrutura energética, formado pelas UHEs Itumbiara, Emborcação (Theodomiro Carneiro Santiago) e Nova Ponte, cuja importância para o Sistema Integrado Nacional (SIN) de geração de energia elétrica vai muito além da capacidade de geração conjunta de 3.784 MW.
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