Brasil Energia, nº 494, 27 de maio de 2025 39 te evitasse uma tragédia muito grande”, relembra o gerente da Copel. Um regime pluviométrico peculiar O técnico e executivo explica que, diferentemente dos demais subsistemas do SIN, o Sul tem características peculiares, com os períodos de cheias ou de secas ocorrendo de forma basicamente aleatória, sem época determinada. O regime de cinco meses chuvosos (dezembro a abril) e sete secos (maio a novembro) que predomina no Norte, Nordeste e Sudeste/Centro-Oeste (SE/CO) - os outros três subsistemas em que é dividida a gestão do sistema elétrico - não se reproduz nos três estados do Sul. “Aqui, pode acontecer de o mês mais chuvoso de um ano ser o mais seco do ano seguinte”, pontua Nacif. A cheia mais recente no Paraná, Santa Catarina e, principalmente, Rio Grande do Sul, aconteceu em maio do ano passado, quando a seca se instalava nas demais regiões do país. Tal característica exige uma sintonia fina na gestão dos reservatórios, seja por razões energéticas, seja por razões de controle das águas. É neste contexto que opera Foz do Areia, responsável por 28,74% da capacidade de armazenamento do subsistema Sul e a maior usina da região fora da calha do rio Paraná (computada no subsistema SE/CO), com 1.676 MW de capacidade instalada. Com seus 3,8 milhões de m3 de capacidade, o reservatório é pequeno se comparado com os gigantes do SE/CO e do Nordeste, como Furnas, Emborcação, Nova Ponte, Serra da Mesa e Sobradinho, mas as características únicas da região exigem do operador um cuidado especial em uma cascata que soma 7.024 MW de capacidade somente na calha principal, distribuída por seis usinas com a inauguração de Baixo Iguaçu (350 MW) em 2019. União da Vitória (PR), durante a cheia de 1983: chuvas duraram uma semana e rio de 2,50 metros chegou a 10,43 metros Foto: Gazeta do Povo
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