54 Brasil Energia, nº 494, 27 de maio de 2025 Telmo Ghiorzi é presidente executivo da ABESPetro, doutor em políticas públicas e mestre em engenharia. Escreve na Brasil Energia a cada três meses. Telmo Ghiorzi Há 50 anos, a Nasa criou e passou a utilizar o TRL, sigla de Technology Readiness Level, ou Nível de Prontidão Tecnológica. Trata-se de modelo para avaliar a maturidade de uma tecnologia em desenvolvimento. Há cerca de 15 anos, o Instituto Real de Tecnologia, o KTH, da Suécia, começou a conceber e disseminar o IRL, a sigla para Innovation Readiness Level, que em tradução livre seria o Nível de Maturidade da Inovação. O IRL é inspirado no TRL, mas vai muito além em termos de abrangência e profundidade no que se refere à inovação. O TRL descreve 9 níveis de maturidade, começando com o nível 1: “princípios básicos observados”, e terminando com o nível 9: “sistema real testado em ambiente operacional”, passando por vários níveis intermediários de validações e demonstrações. O TRL reflete visão linear do desenvolvimento de invenções. O IRL estabelece 6 diferentes dimensões, cada uma com 9 níveis de prontidão. Além da dimensão tecnologia do TRL, o IRL inclui outras 5 dimensões. A dimensão Cliente (CRL), que avalia a maturidade do mercado para receber a inovação. A dimensão Negócios (business), com a sigla BRL, que avalia viabilidade comercial e custos e receitas potenciais. A dimensão Propriedade Intelectual (IPR), que trata das proteções das patentes e marcas da possível inovação. A dimensão equipe (TMRL), que aborda a capacidade de a equipe envolvida desenvolver a tecnologia (invenção) e introduzir a novidade no mercado (inovação). E, por último, a dimensão financiamento (FRL), que avalia a disponibilidade de recursos para financiar os esforços de inovação. Em resumo, o TRL trata de invenções engenhosas, frequentemente, e que, algumas vezes, revelam-se funcionais. O IRL trata das inovações, ou seja, das novidades que, ao serem introduzidas no ambiente produtivo, geram o monopólio temporário e os lucros extraordinários para as empresas que as introduzem e que produzem o permanente desequilíbrio que caracteriza a dinâmica da economia real. O TRL, apesar de menos abrangente e profundo, aparentemente em razão de seus 50 anos de existência, ainda é mais presente tanto nas empresas quanto nas políticas públicas que moldam os esforços para inovação no Brasil. A Finep, por exemplo, menciona apenas o TRL em seu website e documentos de gestão de iniciativas. No caso do setor de petróleo, o Manual Orientativo sobre a Resolução 918/2023, que regula a aplicação dos recursos para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação no setor, traz também exclusivamente o TRL. Embora importante, a dimensão TRL é insuficiente para tratar de tema tão complexo e repleto de incertezas como é o caso das inovações. Mas são as inovações, não as invenções, que geram os investimentos, o consumo, os transbordamentos, as ramificações e outros efeitos econômicos. São, portanto, as inovações que geram empregos, renda e melhoria de outros indicadores sociais. A capacidade do Brasil de desenvolver invenções engenhosas e funcionais tem sido demonstrada com notável frequência e destaque (do 14bis ao Hisep, para citar apenas dois exemplos) Contudo, nossa capacidade de transformar invenções em inovações e, assim, promover desenvolvimento socioeconômico, nem sempre se materializa. Entre outras várias razões, talvez a falta de foco e de instrumentos inspirados no IRL sejam indutores destes resultados nem sempre positivos. O IRL reflete uma visão mais abrangente, profunda e eficaz do processo de inovar. O IRL incorpora o caráter sistêmico, multidimensional e repleto de incertezas que caracteriza o processo de inovar. O conceito está razoavelmente desenvolvido e é utilizado pelo exemplar país que o criou, a Suécia, e pelos demais países desenvolvidos, ainda que nem sempre eles sigam estritamente o modelo do IRL. Guardadas as diferenças de contexto, nada impede que o Brasil adote o IRL, para além do TRL, e assim busque, em vez de apenas criatividade e engenhosidade, as inovações e o desenvolvimento socioeconômico que delas resulta. Nível de Prontidão Tecnológica e Nível de Maturidade da Inovação
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