e-revista Brasil Energia 494

Brasil Energia, nº 494, 27 de maio de 2025 77 Centros de pesquisas e geradoras de energia que utilizam o carvão estão buscando alternativas para a destinação das cinzas resultantes da queima do combustível fóssil nas termelétricas. Entre as linhas de estudo consideradas mais promissoras, está a possibilidade de aproveitar os resíduos para a produção de fertilizantes. E já há planos para estudar a possibilidade de se retirar das cinzas do carvão as disputadas terras raras, como são conhecidos os elementos químicos utilizados em diversos produtos de alta tecnologia. As cinzas representam um passivo ambiental adicional importante para um setor responsabilizado por ter participação significativa nas emissões de gases de efeito estufa (GEE). De acordo com o professor do Departamento de Engenharia de Transportes da Universidade Federal do Ceará (UFC), Iuri Bessa, as cinzas provocam poluição, são com frequência descartadas de forma incorreta e proporcionam elevados custos de estocagem para as geradoras. Thiago Aquino, coordenador do projeto e líder do Núcleo de Energia e Síntese de Produtos do Centro Tecnológico da Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina (CT SATC), de Criciúma (SC), estima que as termelétricas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina produzam cerca de 2,1 milhões de toneladas por ano de cinzas do carvão. Como resultado do uso do carvão nas usinas termelétricas, são produzidos dois tipos de cinzas: as cinzas leves e as cinzas pesadas. As cinzas leves, que representam 80% do total, aproximadamente, são usadas tradicionalmente como ingrediente da fabricação de cimentos. Com essa substituição, de acordo com pesquisadores, ocorre uma redução de emissões de gases poluentes na atividade das cimenteiras. As cinzas pesadas, em contrapartida, não são aproveitadas e são descartadas em aterros sanitários e, mesmo assim, constituem um passivo ambiental. Nos últimos anos, pesquisadores de universidades da região Sul do país e do Ceará, onde existem térmicas a carvão, têm procurado desenvolver ou atestar usos diferenciados para o material. As pesquisas envolvem desde a composição de pavimentos ou de blocos de concreto utilizados na construção civil, até o uso em aterros estruturais, blocos de cinza e cal, cerâmicas, materiais para impermeabilização de bacias de contenção e para a remediação de solos, entre outras finalidades. Zeólitas sintéticas animam pesquisadores Entre as novas aplicações em estudo, o segmento vem dedicando especial atenção para o uso das cinzas na fabricação de zeólitas, um mineral que possui grande número de destinações econômicas, como a produção de fertilizantes, detergentes e catalisadores para a indústria do petróleo. As zeólitas não são encontradas na natureza no Brasil, mas podem ser fabricadas a partir das cinzas do carvão. O presidente da Associação Brasileira do Carbono Sustentável (ABCS), Fernando Zancan, considera bastante pro-

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