e-revista Brasil Energia 495

22 Brasil Energia, nº 495, 30 de junho de 2025 transição energética fundadores da startup. A DeCarb é uma spin- -off da Recicli, cujas atividades são focadas em tecnologias de sustentabilidade ambiental, resultantes de pesquisas científicas que recebem o apoio do CNPQ desde 2005. A DeCarb participou, em 2021, de um programa de inovação da Federação de Indústrias de Minas Gerais, o FIEMG Lab 4.0, no qual se desenvolveu uma prova de conceito da tecnologia que permitiu validar a capacidade de captura de CO2 do sistema. Os resultados foram a captura de 99,3% de CO2. O projeto atraiu a atenção da Anglo American, que passou a participar do desenvolvimento das pesquisas. A mineradora aportou, inicialmente, R$ 27.500 na fase de prova de conceito. E, mais tarde, realizou um novo aporte, de R$ 3 milhões. Segundo informações da empresa, a tecnologia em desenvolvimento pela DeCarb utiliza “um componente específico de um resíduo orgânico, de elevado quantitativo de descarte no Brasil, evitando a poluição ambiental que é gerada pela decomposição deste resíduo, e evitando também a liberação de metano resultante de sua degradação”. O resíduo, que não foi revelado, é a matéria-prima para o material de captura do protótipo que está sendo desenvolvido. Segundo Costa, o uso desse resíduo é um diferencial em relação a outras iniciativas que vêm sendo desenvolvidas ao redor do planeta, como o uso de aminas, um material tóxico. Ele acrescenta que, por questões contratuais, a DeCarb não revela detalhes do projeto. Outro diferencial é o fato de a captura ocorrer dentro de chaminés e dutos. “Fazemos uma captura preventiva, evitando que o CO2 se disperse na atmosfera”, diz ele. A expectativa é que o protótipo em desenvolvimento apresente um potencial para a captura de até 170 mil toneladas de CO2 por ano. Costa acrescenta que a expectativa é produzir equipamentos de acordo com as necessidades das empresas, o que permitirá que apresentem diferentes capacidades de captura de carbono. A DeCarb está iniciando uma nova fase de pesquisas com o objetivo de desenvolver produtos a partir do carbono capturado. Costa considera que a opção de reinjetar o CO2 na terra apresenta riscos, citando casos em que somente 30% do carbono capturado e injetado permaneceu no solo. “A expectativa é conseguir isolar o carbono do CO2 e gerar carbono sintético cristalino, que é a matéria-prima para grafite, diamantes industriais e brocas usadas por dentistas, por exemplo”, disse ele. n Quem é fonte nesta matéria NATHÁLIA WEBER, diretora da CCS Brasil FLÁVIO COSTA, sócio fundador da DeCarb Esta matéria é parte integrante da Série Especial “Ações em Transição Energética”, produzida pela Brasil Energia com o apoio de

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