e-revista Brasil Energia 495

Brasil Energia, nº 495, 30 de junho de 2025 41 Bruna de Souza Moraes é pesquisadora e coordenadora do Nipe/Unicamp, engenheira de Alimentos, mestre e doutora em Ciências da Engenharia. Escreve na Brasil Energia a cada três meses. Bruna de Souza Moraes Lições sobre a produção de biogás a partir dos Resíduos Sólidos Urbanos Quando falamos de inovação tecnológica logo pensamos na criação de novos processos ou produtos que utilizam tecnologias avançadas para otimizar a eficiência, produtividade e rentabilidade do sistema. Em se tratando do biogás a partir de resíduos sólidos urbanos (RSU) no Brasil, um dos melhores exemplos é a metanização seca (Tecnologia TMethar), que conta com tecnologia 100% nacional e se diferencia dos convencionais aterros sanitários. No entanto, ao contrário dos aterros que recebem “de tudo”, a metanização seca só funciona se a fração orgânica do RSU for previamente segregada, o que demanda uma parceria colaborativa com governo e sociedade. Essa é uma tarefa bastante desafiadora considerando o contexto brasileiro e assim continuamos a ver nas notícias que a produção de biogás no Brasil vem crescendo significativamente nos últimos anos, sendo os aterros os grandes responsáveis por isso. Mas será que este sistema é realmente sustentável? Em um estudo da Universidade da Flórida publicado em 2024 na Environmental Science & Technology Letters, foram detectados compostos tóxicos que escapam dos aterros, conhecidos como PFAS (Per and polyfluoroalkyl substances) ou, popularmente, “produtos químicos eternos”, pois não se degradam naturalmente no meio ambiente nem no organismo humano, podendo ocasionar sérios problemas de saúde. E os EUA tem muito mais tempo de experiência nesta tecnologia que o Brasil, o que já acende uma luz amarela para refletirmos se realmente os aterros são nossa melhor alternativa para os RSU. Por que não olhar para os nossos vizinhos do Sul Global? Neste lado do globo, as condições socioeconômicas distintas permitem soluções diferenciadas. É aí que entram as inovações tecnológicas de baixo custo. O caso da Flexi Biogas no Quênia pode ser um bom exemplo: esta startup vem democratizando o acesso ao biogás por meio de sistemas acessíveis e de fácil instalação, voltados para comunidades rurais e periféricas. Neste caso, o biogás vem sendo utilizado como gás de cozinha para substituir a queima de lenha para produção de carvão vegetal, que tem agravado o desmatamento e os problemas de saúde da população queniana. O sistema foi desenvolvido de forma que os próprios moradores possam operar o biodigestor sem o devido conhecimento do processo, mas sabendo que apenas a fração orgânica deve ser utilizada. Segundo a startup, a inovação permitiu mais simplicidade e redução de custos comparados aos biodigestores domésticos tradicionais, como os modelos chinês e indiano. Exemplos como este, que contam com apoio de agências da ONU, também são encontrados na Índia e no próprio Brasil. Considerando que quase 30% da população brasileira é de baixa renda, segundo dados do IBGE de 2023, os biodigestores domésticos ou comunitários de baixo custo também tem seu espaço, com valores que podem variar entre R$ 1.500 a R$ 20.000. Continue lendo esse artigo em: brasilenergia.com.br/energia/licoes-sobrea-producao-de-biogas-a-partir-de-rsu

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