e-revista Brasil Energia 495

Brasil Energia, nº 495, 30 de junho de 2025 45 Bruno Armbrust é pesquisador associado da FGV Ceri e é sócio fundador da ARM Consultoria. Escreve mensalmente na Brasil Energia Bruno Armbrust setor gasista. E o resultado da conta é um valor de cerca de US$ 4 bilhões (mais do que o dobro!). Logo, o que existe de fato, isto sim, é uma “Farra dos Contratos Legados” que impõe um elevado sobrepreço às tarifas de transporte. Polêmicas à parte, algumas das críticas contidas no artigo não guardam relação com a história do GNL no Brasil, nem com o protagonismo que o GNL tem no cenário mundial. E este artigo se propõe a explicar as razões. 1. O GNL é fundamental para a segurança energética do Brasil em um cenário climático e geopolítico complexo. A história do GNL no Brasil se inicia após o racionamento de energia elétrica em 2001, em um período de seca e pouca água disponível nos reservatórios das hidrelétricas. Foi a chegada de duas FSRUs ao país, entre 2008 e 2009, que finalmente trouxe maior robustez e segurança ao setor. Na ocasião, o GNL não só aumentou a oferta de gás, mas proporcionou maior flexibilidade e diversificação de origem do gás, atributos perseguidos mundialmente para reduzir a dependência de poucas fontes de suprimento. Terminais de GNL e a segurança energética do Brasil Coautor: Sergio Soares O investimento em novos terminais de GNL vem transformando o gás natural em uma verdadeira commodity no Brasil, contribuindo decisivamente para criar um ambiente de efetiva concorrência no setor. Mas essa avaliação passa ao largo de questões tratadas no artigo intitulado “Quem paga a farra do GNL?”, publicado na Brasil Energia sob a autoria de Rogério Manso, presidente da ATGas, associação que representa os transportadores de gás no país. Os argumentos do texto, além de não guardarem relação com a realidade, retratam um quadro distorcido da conjuntura energética mundial. Também desconsideram uma série de fatores que vem fazendo do GNL uma alternativa vital para a segurança energética de dezenas de países que, como o Brasil, não são autossuficientes em gás natural. No Brasil, os novos terminais de GNL também contribuem para criar um ambiente de efetiva concorrência na oferta da molécula e diminuir a concentração de mercado. O artigo inicia questionando o custo de afretamento das Floating Storage Regasification Unit (FSRUs) que, segundo o autor, teria consumido em quatro anos um volume de US$ 1,5 bilhão, com recursos supostamente pagos pelos consumidores de energia elétrica – importante observar que as usinas termelétricas (UTEs) conectadas a terminais privados de GNL ganharam leilões concorrenciais por se mostrarem mais viáveis que outros projetos conectados ao transporte de gás. Essa afirmação nos levou a um cálculo similar para o impacto que os chamados “Contratos Legados”, herança de um acordo da Petrobras com transportadoras, vêm provocando ao Continue lendo esse artigo em: petroleoegas/terminais-de-gnl-e-aseguranca-energetica-do-brasil

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