Brasil Energia, nº 495, 30 de junho de 2025 67 O oleoduto de 2 mil km que a Petrobras planeja construir para atender o Centro-Oeste deverá causar mudanças expressivas na origem do abastecimento da região, com mais volume de combustíveis nacionais em vez de importados. Em geral o mercado dependerá menos de importadores, o que deverá aumentar o market share da petroleira estatal – seu objetivo declarado. Norte e Nordeste respondem atualmente por quase metade das importações de combustíveis do País. A carga desembarca principalmente no Porto de Itaqui, em São Luís, Maranhão (4 milhões de m3 de derivados vindos do exterior no ano passado). Em segundo lugar em desembarque de combustíveis está o Porto de Manaus, com mais de 2 milhões de m3. O Centro-Oeste tem sua demanda majoritariamente preenchida pelo escoamento do Norte do País. Com o oleoduto, as refinarias de São Paulo e região serão capazes de levar com muito mais competitividade os combustíveis para o centro do agronegócio, avaliam especialistas em logística e infraestrutura ouvidos pela Brasil Energia. “Este projeto garante o mercado de São Paulo e blinda a Petrobras, garantindo seu market share”, afirma Marcus Delia, da consultoria Leggio. A Petrobras leva combustíveis até Brasília pelo oleoduto que vai de São Paulo à capital federal. Foi o último grande oleoduto construído no País, inaugurado há quase 30 anos. Recentemente um terminal foi inaugurado em Rondonópolis, mas a solução definitiva para entregar combustível ao mercado consumidor do agro deve ser o novo oleoduto. Delia lembra que este projeto vem sendo discutido há dez anos. A Petrobras ainda não teria definido se o destino final será a região central do Mato Grosso ou Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Isso dependerá da demanda que conseguir capturar pelo duto, ao longo da rota e na ponta. Outro fator fundamental para determinar a rota é sua geografia, definitiva para balizar custos. Localidades perto de centros urbanos exigem investimentos elevados em desapropriação. E precisa-se também considerar regiões ambientalmente sensíveis, para evitar impactos e custos muito mais elevados. Dependendo da rota, o oleoduto pode custar até mais de dois dígitos de bilhões. O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) Pedro Rodrigues afirma que o “Brasil tem deficiência absurda” em dutos de maneira geral e a necessidade é evidente na região. Mas pondera que é preciso avaliar os desa-
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