e-revista Brasil Energia 495

Brasil Energia, nº 495, 30 de junho de 2025 69 Marcelo Souza de Castro, graduado em Engenharia Mecatrônica e doutor em Engenharia Mecânica, é diretor do Cepetro, da Unicamp. Escreve na Brasil Energia a cada dois meses. Marcelo Souza de Castro Os efeitos do empreendedorismo em O&G e na Transição Energética A cadeia de óleo e gás do Brasil vive um paradoxo no mínimo interessante. Apesar das grandes possibilidades de investimentos em capacitação de fornecedores e em pesquisa, há uma baixa geração de novas deeptechs/hardtechs no setor. Pesquisas mostram que apenas 5% dos empreendimentos de base tecnológica no Brasil estão ligados ao setor. Ainda, uma análise nos dados de investimento em P,D&I da ANP indicam que, de um montante que passa dos R$ 3,5 bilhões anuais, apenas R$ 27 milhões foram investidos em capacitação técnica de fornecedores. O setor de óleo e gás brasileiro tem cenários bem específicos como a produção do pré-sal em águas ultra profundas, alta concentração de CO2, majoritariamente offshore, para ficar com apenas alguns exemplos. Em todos esses cenários, soluções locais são necessárias e algumas vezes com a necessidade de desenvolvimento de pesquisa e ao final, o desenvolvimento de novos fornecedores. O investimento em P&D é grande por todas as empresas, quer seja em ICTs ou em empresas, mas o link entre o que é desenvolvido nas ICTs e o mercado ainda é frágil e, como observado mundialmente, precisa de empreendedores e empreendimentos de base tecnológica para essa transição de TRLs baixos para TRLs médios e a chegada ao mercado. O mesmo ocorre com a transição energética. Nem todas as soluções desenvolvidas para uma região ou país são diretamente aplicáveis aos outros e há, além da necessidade de investimento em P&D, o investimento no desenvolvimento de novos negócios. Ao longo dos anos observa-se grandes ondas de investimentos em áreas específicas com os recursos da cláusula de P,D&I da ANP, passando por uma formação contínua de pessoal técnico em graduação, mestrado e doutorado. Outro destino são os investimentos pesados em infraestrutura com a construção e compra de equipamentos de última geração, tornando alguns laboratórios brasileiros comparáveis a infraestruturas no exterior. Isso acontece não apenas no setor de óleo e gás, mas no de energia como um todo. E mais recentemente, com a necessidade de transformar relatórios de pesquisas, dissertações, teses e patentes em produtos há, consequentemente, mais demanda pelo desenvolvimento de mais deeptechs e o adensamento da cadeia. Os programas como o Conexões para a Inovação da Petrobras, o iUP do IBP, o programa Nave da ANP, entre outros, despontam como grandes possibilidades de apoio no desenvolvimento de novos empreendimentos com grande sucesso em suas aplicações. Entretanto, uma análise mais aprofundada indica que há, também, a necessidade de maior quantidade de empreendimentos e empreendedores para que se possa adensar toda a cadeia. Diante disso, a Petrobras busca agora, através de projetos de P&D, entender quais são as melhores práticas de desenvolvimento de empreendimentos e empreendedores, desenvolver escalas de maturidade em gestão da Inovação, de forma a ter metodologias validadas para o cenário nacional. Continue lendo esse artigo em: os-efeitos-do-empreendedorismo-emog-e-na-transicao-energetica

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