e-revista Brasil Energia 496

Brasil Energia, nº 496, 24 de julho de 2025 13 Marcus D´Elia é sócio-diretor da Leggio Consultoria, especializada em petróleo, gás e energia renovável. Escreve na Brasil Energia a cada quatro meses. Marcus D’Elia Desafios no Setor Marítimo: Combustíveis, Tecnologia e Logística A indústria marítima está diante de um novo desafio em sua história: promover a transição para combustíveis de baixo carbono em um cenário de pressões regulatórias, incertezas tecnológicas e limitações logísticas No centro dessa transformação está a busca por fontes de energia que possam substituir o óleo combustível e contribuir para a redução das emissões de gases do efeito estufa. Ainda que os objetivos estejam claros, como os compromissos da IMO (International Maritime Organization) para 2030 e 2050, o percurso até sua concretização envolve um conjunto complexo de decisões técnicas e estratégicas, limitadas por estas condições regulatórias. Os novos combustíveis marítimos O óleo combustível pesado (HFO) possui hoje um número significativo de alternativas. As possibilidades em discussão - como gás natural liquefeito (GNL), metanol, amônia, hidrogênio, biodiesel e até mesmo propulsão elétrica para embarcações de pequeno porte - apresentam diferentes níveis de maturidade tecnológica, impactos ambientais e viabilidade econômica. A falta de convergência para um padrão global dificulta o avanço em direção a soluções definitivas. O GNL é atualmente uma das opções para transição mais consolidadas, especialmente por sua aplicação em navios gaseiros e por atender às exigências atuais de controle de emissões. Reduz significativamente os poluentes atmosféricos (SOx, NOx e material particulado), mas tem impacto limitado na redução de gases de efeito estufa (entre 10% e 20%), devido ao deslizamento (escape) de metano. O biodiesel é uma alternativa viável e compatível com os motores existentes. É isento de enxofre, biodegradável e pode reduzir as emissões de GEE de 55% até 90%, dependendo da matéria-prima. Ainda assim, enfrenta limitações relacionadas à escala de produção e logística do produto. O metanol pode ser um combustível promissor no médio prazo. Apesar de inflamável e tóxico, possui padrões de manuseio bem definidos. Seu potencial de redução de GEE está entre 50% e 70% se produzido com tecnologias de captura e armazenamento de carbono. Além disso, é compatível com as motorizações existentes através de adaptações relativamente simples. A amônia (NH3) é uma opção inovadora: não emite CO2 na combustão e pode atingir até 70% de redução de GEE, desde que sua produção incorpore captura de carbono. Contudo, apresenta alta toxicidade e desafios de segurança operacional importantes, especialmente em ambientes confinados a bordo. O hidrogênio, apesar de não emitir CO2 ainda enfrenta barreiras como armazenamento complexo e produção verde limitada, sendo considerado uma solução de longo prazo. Continue lendo esse artigo em: /petroleoegas/desafios-no-setor-maritimocombustiveis-tecnologia-e-logistica

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